O consumo de fruta ao jantar está ligado a um melhor controlo da glicose noturna em adultos obesos, segundo um estudo liderado pela Universidade de Granada e publicado na revista Clinical Nutrition. Os autores destacam que o resultado contradiz narrativas alarmistas sobre o consumo de fruta à noite.
A investigação avaliou como cada refeição se relaciona com a resposta glicémica subsequente em condições reais, não laboratoriais. Participaram adultos obesos, que fizeram uso de monitorização contínua de glicose durante 14 dias.
Durante o período, os investigadores monitorizaram a ingestão alimentar, com especial atenção ao pequeno-almoço, almoço e jantar, correlacionando cada refeição com a sua respetiva resposta glicémica diária.
Metodologia
Os participantes utilizaram um sensor de glicose contínua ao longo de duas semanas, o que permitiu avaliar a variabilidade glicémica associada a cada refeição na vida quotidiana.
A análise destacou que pequenos-almoços com maior consumo de fruta, laticínios, café ou chá sem açúcar e proteínas estiveram ligados a menor variabilidade glicémica subsequente, benefício para a saúde.
Por outro lado, almoços ricos em hidratos de carbono correlacionaram com maior variabilidade glicémica; ao jantar, uma maior ingestão de fruta associou-se a melhor resposta glicémica noturna, enquanto bebidas alcoólicas, carnes processadas e pão/massa refinados mostraram o efeito oposto.
Observações dos autores
Juan José Martín Olmedo, da Universidade de Granada, também afirmou que os resultados apoiam o papel benéfico das frutas, incluindo ao jantar, frente a relatos comedidos sobre o açúcar presente nelas.
O investigador acrescentou que, para pessoas com elevado risco de diabetes tipo 2, evitar fruta por receio infundado pode ser contraproducente, tendo em conta os benefícios observados.
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