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Ordem dos Médicos pede revisão para travar centros de medicina integrativa

Ordem dos Médicos quer rever a lei de publicidade em saúde para proibir expressões como medicina integrativa, visando travar centros sem fiscalização que induzem em erro os utentes

Carlos Cortes, bastonário da Ordem dos Médicos
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  • A Ordem dos Médicos quer revisar a lei de publicidade em saúde para clarificar a proibição de expressões que induzam erro, como medicina integrativa, funcional ou natural, que não são especialidades reconhecidas.
  • Há cinquenta e quatro clínicas em Portugal a promoverem medicina integrativa/funcional sem fiscalização, conforme o PÚBLICO.
  • A Ordem pede maior fiscalização e um regime mais rigoroso de autorização, licenciamento e funcionamento dos estabelecimentos prestadores de cuidados de saúde.
  • A investigação também aponta que oito destes centros receberam mais de um milhão de euros em fundos europeus na última década.
  • A Ordem vai solicitar reuniões com o Ministério da Saúde e com a Entidade Reguladora da Saúde para discutir o tema.

Em Portugal, a Ordem dos Médicos defende revisão da lei de publicidade em saúde para clarificar a proibição de expressões que induzam os utentes em erro, como medicina integrativa, funcional, natural ou ortomolecular. A pretensão surge após a identificação de 54 centros que se promovem como medicina funcional ou integrativa, sem qualquer supervisão.

A Ordem quer tornar mais explícita a proibição de designações que possam sugerir especialidades médicas inexistentes, e reforçar o regime de licenciamento e funcionamento de estabelecimentos de saúde. O objetivo é assegurar que a evidência científica sustente os cuidados propostos, afirma o bastonário Carlos Cortes.

Contexto e decisões anteriores

O PÚBLICO revelou a existência de 54 centros que promovem medicina integrativa sem registo de especialidade. A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) já tinha mandado parar uma clínica, Dr. Joel Portugal – Medicina Funcional e Integrativa, por indução de erro aos utentes e por atividades consideradas publicidade proibida, com coima de 4000 euros.

A investigação também mostrou que oito desses centros receberam mais de um milhão de euros em fundos europeus nos últimos dez anos, para desenho de postos de trabalho e desenvolvimento de negócio. A Ordem dos Médicos encara agora estas verbas como preocupantes, dada a promoção de serviços sem fundamentação clínica reconhecida.

Próximos passos

Nos próximos dias, a Ordem dos Médicos deverá solicitar reuniões com o Ministério da Saúde e com a ERS para discutir a matéria. O objetivo é acelerar uma revisão legal que aumente a fiscalização e esclareça o enquadramento das práticas de publicidade em saúde.

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