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Ébola no Congo: pelo menos 30 mortes indicam propagação rápida

Pelo menos trinta mortos num campo de deslocados no nordeste da RDC sugerem propagação rápida do ébola, com recusa de testes a dificultar a deteção

Sepulturas de vítimas do ébola no campo de Kigonze, no Nordeste da República Democrática do Congo
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  • Pelo menos 30 pessoas morreram desde o início de maio num campo de deslocados internos em Kigonze, Bunia, no nordeste da RDC, com a possibilidade de propagação rápida do ébola.
  • Os doentes apresentavam dores de cabeça, febre e vómitos; as autoridades dizem que a confirmação de causas é difícil porque testes aos vivos e aos mortos foram recusados no campo.
  • O campo, que abriga mais de 15 mil pessoas, fica perto do epicentro do surto de ébola no país; há receios de que a doença circule entre deslocados sem ser detetada.
  • Testemunhos de trabalhadores humanitários e de residentes indicam que as mortes aumentaram significativamente esta semana, após décadas de mortalidade mais baixa no local.
  • Cortes no financiamento internacional para água, higiene e saneamento agravam o desafio de evitar a propagação, com fundos para instalações sanitárias em RDC a diminuir entre 2024 e 2025.

O surto de ébola na República Democrática do Congo (RDC) ganhou um novo e grave contorno: pelo menos 30 mortes ocorreram desde o início de maio num campo para deslocados em Bunia, no nordeste do país. As mortes surgem num momento em que autoridades de saúde temem a propagação não detetada da doença.

Os óbitos em Kigonze, onde residem mais de 15 mil pessoas, apresentam sintomas como dores de cabeça, febre e vómitos, ligados ao ébola. Não foi possível confirmar as causas, devido à recusa de testes pelos doentes e familiares.

O campo é gerido pela organização humanitária Caritas, com o apoio de colaboradores locais. O porta-voz do campo, Desire Grodya Bapi, explicou que as mortes em uma semana são incomuns e não haviam registado números assim antes.

O líder comunitário do campo e o responsável pela Caritas no Leste da RDC confirmaram à Reuters que houve resistência significativa à realização de exames médicos. Equipes de saúde realizaram desinfeções, mas não obtiveram consentimento para inspeções nos corpos.

O surto no país foi declarado a 15 de maio, ainda que as autoridades admitam que as mortes começaram no início do mês. O índice elevado de óbitos em Kigonze reacende preocupações sobre a circulação do vírus entre deslocados.

Contexto internacional e financiamento

Quatro trabalhadores humanitários apontaram que o aumento de mortes pode refletir maior exposição a doenças, agravada por cortes de financiamento em água, higiene e saneamento. Dados da ONU indicam queda no apoio entre 2024 e 2025, com o financiamento desta área próximo de 38 milhões de dólares em 2025.

O financiamento para projetos de saneamento depende de doadores estrangeiros. Este ano, apenas uma fração do pedido de 80 milhões de dólares para emergências tem sido assegurada. A RDC mantém centenas de campos para civis deslocados, com condições sanitárias precárias em muitos deles.

Numa das zonas afetadas, são frequentes as dificuldades de acesso a serviços básicos. Em Kigonze, as famílias vivem em tendas, com vias de sanitas limitadas e infraestruturas de água inadequadas, o que dificulta medidas de prevenção.

Impacto humano

Entre as vítimas, há casais e crianças; incluindo uma mãe grávida. Os relatos da comunidade destacam condições de vida degradadas, com risco acrescido de contágio para quem permanece no campo.

As autoridades locais reforçam a necessidade de permitir exames laboratoriais para confirmar ou excluir a presença do vírus, mantendo o foco na contenção e na proteção das populações deslocadas.

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