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Google planeia usar mosquitos benéficos para travar doenças fatais

Google avança com o projeto Debug, libertando mosquitos machos portadores de Wolbachia na Califórnia e na Flórida para reduzir populações e interromper transmissão de doenças

Todos os anos, os mosquitos são responsáveis por cerca de 700 mil a 1 milhão de mortes humanas em todo o mundo,
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  • A Google está a desenvolver o projeto Debug para libertar mosquitos machos que carregam a bactéria Wolbachia, com o objetivo de reduzir a transmissão de doenças como dengue, malária e febre-amarela; a empresa pediu autorização para libertar até 64 milhões de mosquitos em dois anos, na Califórnia e na Flórida.
  • A Wolbachia impede que os mosquitos machos estéreis transmitam descendência às fêmeas selvagens, reduzindo a população a cada geração e, assim, interrompendo a transmissão de doenças.
  • O método não usa pesticidas nem alterações genéticas e é considerado seguro para pessoas e ambiente; apenas os machos entram no programa, já que as fêmeas picam pessoas.
  • Em Chipre já houve piloto com a Técnica do Inseto Esteril (SIT) em 2023; na Europa, o Aedes aegypti está presente e o risco de doenças transmitidas por mosquitos tem aumentado, segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças.
  • Medidas de prevenção na Europa passam por eliminar água parada, usar larvicidas em massas de água maiores e aplicar adulticidas durante surtos, sempre considerando o impacto ecológico.

O Google avança com o projeto Debug, que visa libertar mosquitos homens portadores de Wolbachia para reduzir a transmissão de doenças. A medida poderá ocorrer na Califórnia e na Flórida, ao longo de dois anos. A liberação depende de aprovação das autoridades dos EUA.

Quem está envolvido: equipa de cientistas e engenheiros da Google trabalham para introduzir mosquitos machos estéreis com a bactéria Wolbachia. O objetivo é que, ao acasalarem com fêmeas selvagens, os ovos não eclodam, reduzindo a população na geração seguinte.

Quando e onde: o pedido de autorização foi apresentado nos Estados Unidos. Se aprovado, a libertação poderá acontecer na Califórnia e na Flórida durante dois anos, num plano que visa travar a transmissão de doença.

Porquê: as fêmeas transmisso­ras de dengue, malária e febre-amarela necessitam de sangue humano ou animal para desenvolver ovos. Ao interromper a reprodução, a incidência de doenças pode diminuir e o risco para a saúde pública reduzir-se.

Como funciona: o método usa mosquitos machos estéreis que não se cruzam com fêmeas selvagens, graças à Wolbachia. Não envolve toxinas nem alterações genéticas, sendo apresentado como seguro para pessoas e ambiente.

Técnica de esterilização: a equipa da Google trabalha com várias abordagens para esterilizar mosquitos machos. Na eventual libertação, a estratégia indicada envolve infetar os mosquitos com Wolbachia para manter a bactéria estável na população.

Contexto global: existem mais de 3 mil espécies de mosquitos, muitas com potencial de transmitir doenças. O Aedes aegypti é responsável por dengue, Zika, febre-amarela e chikungunya, com impacto significativo em regiões tropicais e subtropicais.

Experiências anteriores: Chipre realizou, em 2023, um programa-piloto com libertação semanal de 100 mil machos estéreis durante 20 semanas. Outros testes ocorreram em Cuba (2020) e na China (2017), com métodos de irradiação.

Europa em foco: o aumento de temperatura e de verões longos tem intensificado as transmissões na Europa. O ECDC aponta Aedes aegypti, Aedes albopictus e Culex pipiens como vetores relevantes, com crescimento de áreas de ação.

Prevenção contínua: além de intervenções químicas, o ECDC recomenda eliminação de águas paradas e uso de larvicidas ou adulticidas em surtos, sempre considerando o impacto ambiental. A prevenção depende de ações públicas e individuais.

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