- Médicos internos em Inglaterra vão fazer uma greve de quatro dias, de 15 de junho a 19 de junho, após acordo entre o novo ministro da Saúde e a Associação Médica Britânica (BMA).
- O ministro James Murray afirmou que não está disponível para novas negociações salariais; os salários de entrada são pouco acima de 40 000 libras e os internos mais experientes ganham em torno de 76 500 libras, com aumentos já aplicados nos últimos anos.
- A BMA sustenta que o salário real continua abaixo de 2008, quando se ajusta pela inflação, e aponta dívidas estudantis de médicos jovens como pressão adicional, com risco de‑emigração para países como Austrália ou Canadá.
- O governo defende que os aumentos salariais dos últimos quatro anos são entre os maiores do setor público e que avançar com mais recursos para o NHS prejudicaria outras medidas, defendendo o uso do CPI em vez do índice de preços no retalho (RPI).
- Em Espanha, Alemanha e Portugal também há greves médicas em curso ou previstas; na Alemanha, o aumento procurado é de 8% num ano para hospitais universitários; em Espanha, greves nacionais ocorrem entre 15 e 19 de junho, com foco no Estatuto Marco e um estatuto próprio para médicos.
O Reino Unido enfrenta uma nova vaga de greves de médicos internos, com uma greve de quatro dias prevista para junho em Inglaterra. O protesto, já na 16.ª ronda de negociações salariais, decorre entre 7h de 15 de junho e 6h59 de 19 de junho. A decisão foi tomada após reunião entre o novo ministro da Saúde, James Murray, e a Association Médica Britânica (BMA).
Murray substituiu Wes Streeting no início de maio e já afastou a hipótese de novas negociações salariais no imediato. A BMA sustenta que as propostas continuam a ser insuficientes e que há indefinições quanto a novas vagas de emprego. O sindicato aponta ainda défices salariais face a 2008, ajustados pela inflação.
Em Inglaterra, o salário inicial dos médicos internos é superior a 40 000 libras (46 150 euros), com salários de entrada para internos mais experientes em torno de 76 500 libras (88 295 euros). A bonificação por horas extra e turnos pode aumentar significativamente a remuneração.
Nos últimos quatro anos, os médicos receberam aumentos de 33%, mais 3,5% este ano. A BMA avança que o salário real continua abaixo do nível de 2008, quando ajustado pela inflação, segundo o índice retail prices (RPI). A federação diz que muitos jovens médicos acumulam dívidas com juros altos.
Há receios de que sem remuneração adequada muitos médicos possam emigrar para fora, para países como a Austrália ou o Canadá, agravando a pressão sobre o NHS. O governo britânico defende que os aumentos recentes já são entre os maiores do setor público e que novos aumentos prejudicariam a redução de listas de espera.
O governo também questiona o uso do RPI como referência, defendendo que o CPI é a medida atual. Segundo o Executivo, a queda do salário real é menor quando se considera o CPI, o que reduz o peso da reclamação salarial.
Outros países europeus
Na Alemanha, médicos de hospitais universitários, representados pela Marburger Bund, procuram acordos salariais melhores, com uma reivindicação de 8% de aumento em 12 meses. Após a segunda ronda de negociações, pode haver greves de aviso com impacto em cirurgias e consultas não urgentes, sendo previstas novas negociações para início de junho.
Em Espanha, greves intermitentes de médicos decorrem a nível nacional. A próxima paralisação está marcada para 15 a 19 de junho, com foco na discussão sobre o Estatuto Marco e o reconhecimento das responsabilidades dos médicos, incluindo um estatuto específico com limite de 35 horas semanais.
Em Portugal, a FNAM e outros sindicatos protestam contra o que descrevem como a destruição do SNS. A principal preocupação é a dificuldade de atrair e reter médicos jovens, agravada por salários e incentivos considerados pouco atrativos, resultando em carência de pessoal e turnos excessivos.
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