- Entre 2021 e 2024, 69 dos 168 medicamentos novos aprovados pela EMA chegaram à Grécia, sendo apenas 36 totalmente acessíveis por comparticipação.
- Entre 2022 e 2025, apenas cerca de 42 dos 214 medicamentos inovadores aprovados pela EMA estão disponíveis no mercado grego; 101 dos 131 ainda sem preço deverão nunca chegar a ser lançados, segundo as empresas.
- O tempo médio de espera desde a aprovação europeia até à comparticipação na Grécia é de aproximadamente 641 dias, muito acima de países como a Alemanha (158 dias) e da média europeia, e a taxa de disponibilidade global é de 41% vs. 45% na UE.
- A indústria aponta como razões a atual estrutura económica do mercado grego, nomeadamente mecanismos obrigatórios de devolução de verbas (clawback e rebates), herdados da crise, que tornam o país menos atrativo para lançamentos.
- A possível alteração ao sistema de referência de países para a definição de preços pode atrasar ainda mais o acesso, adicionando cerca de 79 dias e potencialmente empurrando o tempo total para além de dois anos.
A Grécia continua a ficar aquém do acesso a terapias inovadoras, com o atraso a traduzir-se em tempos de espera longos e numa menor disponibilidade de novos fármacos. Dados da EFPIA e da IQVIA apontam para uma posição muito atrás da média europeia e dos maiores mercados.
Entre 2021 e 2024, apenas 69 dos 168 medicamentos aprovados pela EMA chegaram ao mercado grego. Destes, 36 estão plenamente acessíveis via comparticipação; os restantes operam sob regimes restritos, como IFET e pré‑aprovacao eletrónica. Resultado: um em cada cinco medicamentos chega sem restrições, outro em cinco com limitações, e os restantes dois em cinco não ficam disponíveis.
Duas avaliações corroboram o cenário. Um segundo estudo sobre 214 fármacos aprovados entre 2022 e 2025 revela que apenas 42 estão disponíveis na Grécia. O presidente da principal associação do setor na Grécia, Olympios Papadimitriou, descreve um acesso limitado que pode deixar doentes com doenças crónicas sem a opção terapêutica mais adequada.
Atraso e impacto na prática clínica
A Grécia demora, em média, 641 dias desde a aprovação europeia até à comparticipação nacional, ligeira melhoria face aos 654 dias anteriores, mas ainda abaixo da média europeia. Países como a Alemanha alcançam 158 dias; Itália, 441; e a Áustria, 363.
A disponibilidade global de novos medicamentos na Grécia é de 41%, contra 45% na Europa. Países com maior cobertura, como a Alemanha (93%), Itália (79%) e Áustria (85%), evidenciam o fosso existente.
A pesquisa da IQVIA também aponta uma tendência de agravamento: muitas empresas parecem
decidir não trazer novos fármacos para o mercado grego. Dos 131 novos tratamentos sem preço na Grécia, 101 poderão nunca chegar aos doentes, segundo as respostas das empresas.
Memorandos e quadro económico
As autoridades sanitárias gregas destacam que o enquadramento económico, em particular os elevados mecanismos de devolução de verbas (clawback e rebates), reduz a atratividade do mercado para lançamentos de terapias inovadoras. A SFEE sustenta que as medidas de contenção de despesa herdadas da crise da dívida dificultam o acesso dos pacientes a novos fármacos.
O diretor-geral da SFEE recorda que o país cortou despesa pública na altura, e hoje os custos de medicamentos pesam na decisão de entrada de novos produtos. O apelo é por um quadro claro, estável e com governança digital para tornar a despesa farmacêutica mais eficiente.
Perspetiva futura e mudanças de referência de preços
O estudo aponta que a substituição de países de referência para definição de preços na Grécia — alinhando‑se com Polónia, Eslovénia e República Checa em vez de Alemanha, Itália e Áustria — pode acrescentar cerca de 79 dias ao atraso. Assim, o tempo total de espera pode ultrapassar os dois anos.
Panorama europeu
A situação não é apenas grega. A UE registou, no conjunto, um tempo médio de 597 dias para disponibilização de novos fármacos, e apenas 28% dos fármacos aprovados pela EMA estão plenamente acessíveis via comparticipação nacional. O problema é visto como um desafio político‑económico comum, com necessidades de políticas de saúde estáveis e previsíveis para facilitar investimentos farmacêuticos.
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