Um mapa amplamente partilhado na Internet tem sido usado para alegar, de forma enganosa, que a estirpe Andes do hantavírus se propagaria rapidamente pela Europa e pela América do Norte. As imagens provêm de capturas de ecrã do site hantavirusmap.com, associadas ao surto no navio MV Hondius.
Os utilizadores em redes sociais afirmam que os indicadores vermelhos e laranja representam casos confirmados em todo o mundo. Na prática, as capturas mostram uma compilação de artigos noticiosos e avisos da comunidade, não novos casos verificados.
No mapa, ao passar o cursor sobre Espanha, surge um alerta vermelho com o número 18. Isto foi interpretado como 18 casos em Espanha, mas, de acordo com o Ministério da Saúde de Espanha, existem apenas dois casos confirmados ligados ao surto do Hondius.
Verificação e dados oficiais
O próprio site indica que o mapa mostra “sinais noticiosos, não casos confirmados” e apresenta uma atualização da OMS sobre casos confirmados. O criador, Bas Witkop, afirmou ter criado a ferramenta para agregar relatórios públicos, não para acompanhar casos confirmados.
Desde então, Witkop introduziu avisos mais claros e regras de classificação mais rigorosas, após perceber interpretações incorretas. O objetivo é evitar alarmismo com base em capturas de ecrã.
O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) atualizou, a 26 de maio, que há 13 casos do vírus, sendo 11 confirmados e 2 prováveis. A agência indicou que se esperam novos casos devido ao longo período de incubação.
A autoridade de saúde sublinha ainda que o risco para a população geral da UE/EEE permanece muito baixo. A transmissão usual envolve contacto com roedores; a estirpe Andes pode transmitir-se entre humanos apenas com contacto próximo e prolongado.
O surto no MV Hondius reacendeu a desinformação sobre saúde na Internet. A OMS já alertou para o fenómeno de “infodemia”, que complica a orientação fiável durante emergências sanitárias.
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