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Europa pode tornar-se foco de chikungunya com calor a ampliar habitats de mosquitos

Alterações climáticas alargam habitats de mosquitos; a Europa pode tornar-se foco de chikungunya, com surtos potenciais nas zonas temperadas até 2100

Alterações climáticas podem trazer vírus da chikungunya para a Europa
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  • Um estudo recente indica que o calor está a ampliar os habitats de mosquitos e a colocar a Europa e a América do Norte entre os focos de chikungunya, com 139 países ou regiões já considerados de risco.
  • Em cenários de alterações climáticas, o vírus pode expandir-se para zonas temperadas, especialmente no nordeste da América do Norte, na Europa Central e no Leste Asiático.
  • Temperaturas entre 18 ºC e 28 ºC aceleram o desenvolvimento do vírus dentro do mosquito, aumentando o potencial de surtos.
  • A chikungunya continua uma ameaça global, com transmissão autóctone já identificada em 114 países e mais de 502 mil casos reportados em 2025, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde.
  • Os autores defendem vigilância de mosquitos, formação de profissionais de saúde e planos de resposta rápida antes de surgirem surtos, especialmente em regiões temperadas que ainda não enfrentam a doença de forma sazonal.

A Europa pode tornar-se foco do vírus chikungunya à medida que o calor expande os habitats de mosquitos. Um estudo internacional mostra que temperaturas mais elevadas elevam o risco global, incluindo regiões temperadas.

A pesquisa, publicada na Frontiers in Cellular and Infection Microbiology, analisa 139 países ou regiões como zonas de risco. O estudo afirma que estas áreas representam 21,3% da superfície terrestre.

Segundo os autores, o aquecimento facilita a sobrevivência de mosquitos vetores em zonas que antes eram frias. O Dr. Ye Xu destaca a continuação da expansão para norte, sobretudo na Europa Central e no nordeste da América do Norte.

Mudanças climáticas e vetores

O chikungunya é transmitido principalmente pelo mosquito Aedes aegypti, comum em áreas urbanas tropicais. O estudo também indica que alterações climáticas e mobilidade populacional aceleram a dispersão de mosquitos e variantes virais.

O pesquisador Yang Wu explica que o mosquito tigre Asiático tolera temperaturas mais baixas, o que facilita o estabelecimento em novos territórios à medida que as temperaturas sobem. Assim, a transmissão local pode aumentar.

Os cientistas observaram que temperaturas entre 18 ºC e 28 ºC aceleram o ciclo do vírus dentro do mosquito, elevando o tempo de transmissão e o potencial de surtos.

Propagação prevista e impactos potenciais

A chikungunya já é reconhecida como ameaça global, com transmissão autóctone em 114 países. Atualmente, a maioria da população mundial encontra-se em risco de exposição indireta.

A taxa de letalidade estimada é de cerca de 1,3 por mil, com perdas significativas de anos de vida ajustados por incapacidade. A equipa modelou cenários climáticos até 2100 com base em dados do IPCC.

Os cenários apontam que o centro-norte da Europa, o nordeste da América do Norte e o Leste Asiático emergem como zonas críticas em distintas projeções.

Preparação e estratégias de resposta

Ao analisar 2025, os investigadores registraram mais de 502 mil casos globais de chikungunya, com 186 óbitos em 41 países. A previsão é de agravamento com alterações climáticas.

As medidas recomendadas incluem monitorização de mosquitos, formação de profissionais de saúde para diagnóstico rápido e planos de resposta rápida para surtos, com foco nas regiões temperadas.

Antes de 2040, os autores indicam a vigilância antecipada de vetores e melhoria da capacidade diagnóstica em países como Reino Unido, Alemanha, EUA, China e Japão.

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