O stress e a ansiedade, muitas vezes desvalorizados, têm impactos diretos no funcionamento do corpo, incluindo o sistema imunitário. A médica psiquiatra Maria Moreno destaca que o estado mental condiciona respostas biológicas e a defesa do organismo.
Segundo Moreno, o corpo não distingue sofrimento emocional de ameaça física. Quando o cérebro percebe perigo, o organismo entra em modo de sobrevivência, com aumento de adrenalina e cortisol, batimento cardíaco acelerado e maior estado de alerta. O problema surge quando o estado persiste.
O stress agudo pode ser útil em situações de emergência, como uma reação rápida a um perigo. Hoje, o estresse pode surgir de relações tóxicas, ambientes laborais exigentes ou responsabilidades familiares sem apoio adequado, explica a médica.
O desgaste prolongado do sistema hormonal leva a alterações no sono, na memória, no metabolismo e na regulação emocional, além de afetar a imunidade. A amígdala pode ficar mais ativa, dificultando a gestão de emoções e aumentando mediadores inflamatórios.
Sintomas geralmente aparecem de forma difusa: cansaço, dores musculares, problemas gastrointestinais, alterações de pele, queda de cabelo, enxaquecas e dificuldades de memória. Esses sinais podem indicar desgaste físico silencioso.
Pessoas sob stress constante relatam infeções frequentes, fadiga e agravamento de doenças inflamatórias. Doenças como psoríase, colite ulcerosa, artrite reumatoide e alopecia podem piorar em fases de maior pressão emocional.
A psiquiatra alerta para a hipervigilância: sensações normais passam a soar como perigo. Mesmo em descanso, o sistema nervoso pode manter o alarme ligado, dificultando a recuperação e acelerando o desgaste do organismo.
Maria Moreno sublinha que não se trata de fraqueza, mas de uma tendência comum entre quem é altamente funcional e resiliente. O corpo pode, contudo, perder a capacidade de distinguir ameaças externas de internas, levando a ataques ao próprio organismo.
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