- O surto de ébola no leste da República Democrática do Congo envolve a espécie Bundibugyo, com cerca de 600 casos suspeitos e 139 mortes; a taxa de mortalidade pode chegar a 40%.
- Não existem vacinas ou tratamentos aprovados para Bundibugyo; estão em avaliação algumas candidatas, ainda principalmente em fases pré-clínicas ou animais, com autorização de uso de emergência por vezes necessária.
- Vacinas em desenvolvimento incluem a rVSVΔG/BDBV-GP (mesma tecnologia da Ervebo) e uma candidata baseada na plataforma ChAdOx1 (Oxford/AstraZeneca), com produção acelerada e prazos de meses para disponibilidade em alguns casos.
- Terapias baseadas em anticorpos em estudo incluem MBP134 (pan-vírus) pela Mapp Biopharmaceutical e BDBV289-N em desenvolvimento na Universidade Médica do Texas; anticorpos isolados de sobreviventes Bundibugyo também são explorados.
- Antivirais e diagnósticos já em estudo: o remdesivir mostra atividade in vitro contra Bundibugyo; testes de diagnóstico como BioFire Defense e RealStar RT-PCR Kit 1.0 ajudam a detetar a infecção, com capacidade de detecção de várias espécies.
O surto de Ébola no leste da República Democrática do Congo, ligado à espécie Bundibugyo, acelera a busca por vacinas e tratamentos. A OMS alerta que o número de casos suspeitos e mortes pode continuar a aumentar, com uma taxa de mortalidade de até 40%.
Pesquisadores de várias regiões avaliam opções terapêuticas emergentes. A maior parte das candidatas tem ainda apenas dados de estudos em animais e não foi testada em humanos. Autorização de uso de emergência pode ser necessária em cada caso.
As autoridades de saúde destacam a urgência de acelerar os ensaios pré-clínicos e a fabricação de doses, mantendo rigor técnico. O objetivo é ter respostas rápidas para conter a propagação do vírus Bundibugyo.
Vacinas
Uma vacina específica para Bundibugyo, a rVSVΔG/BDBV-GP, mostrou em primatas benefício na sobrevivência em estudo de 2023. Discussões sobre o avanço clínico estão em curso, indicam fontes ligadas aos investigadores.
A OMS estima que um prazo de seis a nove meses pode ser necessário para produzir esta vacina em maior escala. O desenvolvimento depende de aprovação regulatória e de ensaios em humanos.
Outra candidata usa a tecnologia ChAdOx1, associada à vacina da covid-19. Fabricada pelo Instituto Serum da Índia, a produção começou sob protocolo de resposta a emergências. Doses podem ficar prontas em dois a três meses, com estudos em animais ainda pendentes.
CEPI coordena esforços para acelerar o desenvolvimento, incluindo estudos pré-clínicos paralelos à fabricação de doses. A organização negocia com as candidatas para reduzir o tempo entre descoberta e disponibilização.
Terapias baseadas em anticorpos
A Mapp Biopharmaceutical desenvolve MBP134, um cocktail de anticorpos monoclonais com atividade pan-Ébola. Em ensaios de fase inicial, mostrou boa segurança e está a ser considerado para uso em pessoas de alto risco, sob coordenação de autoridades de saúde.
Pesquisas com anticorpos isolados de sobreviventes do Bundibugyo também são exploradas. Outra candidata da Universidade Médica do Texas, BDBV289-N, mostrou proteção de até 100% em macacos quando administrada vários dias após a infecção, em estudo com apoio de institutos nacionais de saúde.
Antivirais
O remdesivir, antiviral da Gilead, revelou atividade contra Bundibugyo em ensaios laboratoriais realizados na Universidade Médica do Texas. Dados sugerem eficácia potencial superior frente a Bundibugyo comparativamente a Zaire, segundo fontes de pesquisa.
Testes de diagnóstico
A capacidade de diagnóstico para Bundibugyo está abaixo do desejado, atrasando a resposta ao surto. A BioFire Defense amplia produção de um teste que deteta várias espécies de Ébola, incluindo Bundibugyo, para suprir a demanda de laboratórios.
O RealStar Filovirus Screen RT-PCR Kit 1.0, da Altona Diagnostics, é utilizado na monitorização do surto na RDC e teve produção aumentada para apoiar os laboratórios locais.
Entre na conversa da comunidade