- O navio de cruzeiro MV Hondius tornou-se epicentro de um surto mortal de hantavírus, com 11 casos e 3 mortes até 13 de maio, segundo a OMS.
- A OMS avisa que não há sinais de um surto de maior dimensão, mas prevê-se o surgimento de mais casos devido à dinâmica de propagação no navio e ao período de incubação.
- Os hantavírus são uma família de vírus geralmente transmitidos por roedores; a transmissão entre pessoas é rara e exige contacto próximo. A OMS sublinha que não se trata de COVID-19.
- Cientistas associam alterações climáticas e destruição de habitats à maior probabilidade de surtos de doenças zoonóticas, incluindo o hantavírus, especialmente por alterações na população de roedores.
- A vigilância integrada (dados epidemiológicos, ecológicos e climáticos) e a restauração de habitats são apontadas como medidas-chave para reduzir o risco, com a IUCN destacando a restauração como intervenção de saúde pública.
Pelo menos 11 casos de hantavírus foram registados até 13 de maio, num surto associado ao cruzeiro MV Hondius. O navio tornou-se no epicentro da doença durante a sua escala no porto de Roterdão, Países Baixos, gerando alertas internacionais. Não há sinais de um surto de grande dimensão, segundo a OMS.
Entre os casos, contam-se três óbitos, com a OMS a prever a possibilidade de novos registos devido à dinâmica de propagação típica de um navio e ao período de incubação do vírus. Infelizmente, a transmissão entre pessoas permanece rara e concentrada em contactos próximos.
A OMS esclarece que este hantavírus não é SARS-CoV-2 nem o início de uma nova pandemia. A organização distingue hantavírus por serem vários vírus diferentes, quase todos associados a roedores, e por a maioria não se transmitir entre pessoas.
O que é hantavírus e como se propaga
A família hantavírus envolve mais de 20 entidades distintas, frequentemente transmitidas por roedores domésticos e silvestres. Em raros casos, pode ocorrer transmissão entre pessoas, mas o modo principal de infeção é a inalação de partículas contaminadas com urina, fezes ou saliva de roedores infectados.
Alterações climáticas e destruição de habitats são apontadas como fatores que podem influenciar a epidemiologia e a distribuição de hantavírus. A researchers destacam que mudanças nos padrões de precipitação afetam a reprodução de roedores hospedeiros, elevando potencialmente o risco de exposição humana.
Especialistas indicam que ecossistemas fragmentados e perturbações ambientais elevam a probabilidade de contacto entre humanos e hospedeiros, aumentando o risco de transmissão. Eventos climáticos extremos podem também perturbar ecossistemas e infraestruturas, facilitando a disseminação de doenças zoonóticas.
Para a comunidade científica, o foco permanece na vigilância integrada, que combine dados epidemiológicos, ecológicos e climáticos. A recuperação de paisagens naturais é citada como uma estratégia de saúde pública que pode reduzir populações de roedores-reservatório.
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