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Gastos com medicamentos para obesidade sobem 70%

Gastos com fármacos para obesidade podem atingir 220 milhões de euros em 2026, com despesa diária de 613 mil euros e decisão de comparticipação em atraso

Novos medicamentos prometem curar a obesidade
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  • Em 2026, os gastos com medicamentos para obesidade em Portugal devem atingir 220,8 milhões de euros, um aumento de 70% face a 2025 (130 milhões).
  • Nos primeiros três meses de 2026 já foram gastos 55,2 milhões de euros com Mounjaro e Wegovy, fármacos incluídos pela Organização Mundial de Saúde, em dezembro de 2025, na lista de acesso universal.
  • O gasto diário com estes dois fármacos situa-se nos aproximadamente 613 mil euros.
  • A médica Paula Freitas destaca que 28,7% da população sofre de obesidade e 60% encontra-se em pré-obesidade; defende que a comparticipação seja destinada a quem tem IMC acima de 30, ou 27 com comorbidades.
  • A secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, confirmou que até ao final da semana haverá anúncios sobre a comparticipação destes medicamentos.

Portugal vive um aumento significativo na despesa com medicamentos para obesidade, com o mercado a crescer de forma acelerada. Em 2025, o gasto foi de 130 milhões de euros; as projeções apontam para 220 milhões em 2026, o que traduz um aumento de 70%.

Nos primeiros três meses de 2026, o gasto com Mounjaro e Wegovy chegou a 55,2 milhões de euros, segundo dados do Infarmed divulgados pelo Público. O gasto diário atual situa-se em cerca de 613 mil euros.

A parceria entre as entidades públicas e os pacientes ainda não contempla comparticipação para estes fármacos, apesar de terem sido incluídos pela Organização Mundial de Saúde na lista de acesso universal em dezembro de 2025. O impulso de compra é evidente.

Debates sobre comparticipação e critérios

A médica Paula Freitas, presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, aponta uma prevalência de obesidade em 28,7% da população e 60% em pré-obesidade. Não tratar acarreta custos maiores com doenças associadas.

Segundo a especialista, o Estado está a preparar a comparticipação apenas para IMC de 35 ou mais, ou cirurgia já iminente. A recomendação é ampliar para IMC acima de 30, ou 27 com doenças associadas, seguindo orientações internacionais.

A especialista afirma que a obesidade é uma doença que exige tratamento para melhorar a qualidade de vida e reduzir riscos de cardiovascular, renal, hepático, apneia do sono e diabetes. Os remédios apresentam benefícios superiores aos efeitos secundários, principalmente náuseas e obstipação.

Perspetivas de inclusão e custos

Paula Freitas acrescenta que as expectativas de novas informações sobre a comparticipação devem surgir até ao final da semana, conforme atualização da secretária de Estado da Saúde, Ana Povo.

O uso de Ozempic, medicamento para diabetes que também era procurado para emagrecimento, caiu em popularidade desde a entrada dos fármacos para obesidade. O Estado pagou 505 milhões de euros entre 2020 e 2025, com irregularidades apontadas pela Polícia Judiciária.

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