A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou nesta sexta-feira para uma escalada da crise de saúde mental na Ucrânia, após mais de quatro anos de guerra com a Rússia. A entidade estima que os impactos psicológicos serão sentidos por gerações.
Segundo Jarno Habischt, representante da OMS na Ucrânia, as necessidades de apoio psicológico cresceram desde o início da invasão, em fevereiro de 2022. Uma primeira estimativa, já em março de 2022, apontou para cerca de 10 milhões de pessoas a exigir assistência em saúde mental.
Atualmente, dados da OMS indicam que 71% da população enfrenta episódios de ansiedade, stress ou insónia. A organização ressalva que o desgaste mental se traduz em piora da saúde geral no país, apontando que dois terços dos ucranianos relatam deterioração da condição física desde o conflito.
A OMS também registou um aumento de doenças crónicas e não transmissíveis. Entre as mudanças, destacam-se um acréscimo de 11% nos internamentos por AVC e 7% nos casos de ataques cardíacos, indicando uma sobrecarga adicional no sistema de saúde.
A situação é especialmente grave entre os mais de três milhões de deslocados internos, cuja saúde apresenta indicadores piores do que os que permaneceram em casa. Paralelamente, o sistema de saúde ucraniano continua sob pressão, com ataques contra hospitais, ambulâncias e profissionais de saúde.
A OMS reportou mais de 3 000 ataques a estruturas e meios de saúde desde o início da guerra, causando pelo menos 239 mortos e 991 feridos. Em cerca de 20% dos incidentes, veículos de transporte médico foram visados.
Conclui o representante da OMS que os profissionais de saúde assinalam uma ameaça constante ao longo do conflito, o que agrava ainda mais o desafio de responder à crise humanitária na Ucrânia.
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