- Estudos indicam que o narcisismo se expressa de forma diferente entre mulheres e homens, influenciado por papéis sociais e culturais.
- Nas mulheres, o narcisismo tende a ser vulnerável: busca de validação emocional, hipersensibilidade à crítica e relações marcadas por dependência ou manipulação subtil.
- Nos homens, predomina o narcisismo grandioso: desejo de poder e estatuto, maior arrogância, menor tolerância à crítica e tendência de controlar os outros.
- As relações podem tornar-se emocionalmente desgastantes, com invalidação, culpa, manipulação ou ausência de empatia, tanto em traços grandiosos como vulneráveis.
- Existe tratamento, mas é um processo psicoterapêutico exigente; a terapia foca na consciência emocional, autoestima estável e construção de relações mais saudáveis.
O narcisismo nas mulheres e nos homens não se expressa da mesma forma, ainda que tenha raízes comuns. A diferença surge sobretudo a partir de papéis sociais atribuídos a cada género. Em termos gerais, o narcisismo feminino tende a aparecer de forma mais vulnerável, enquanto o masculino se manifesta de modo mais grandioso.
Segundo a psicóloga clínica Isa Silvestre, os traços centrais — necessidade de validação, dificuldade empática, autoestima frágil e procura de admiração — coexistem, mas a expressão varia consoante contextos sociais, emocionais e culturais. A profissional sublinha que o fenómeno tem ganho expressão social e individual.
Entre as mulheres, o narcisismo vulnerável é o mais frequente: a grandiosidade é menos explícita, mas persiste a necessidade de validação emocional. Pode haver sensibilidade excessiva à crítica, vitimização, alternância entre insegurança e superioridade e manipulação subtil nas relações.
Nos homens, observa-se o narcisismo grandioso, mais visível e socialmente reconhecível. Caracteriza-se por desejo de poder e estatuto, sensação de superioridade, dominação, maior arrogância e menor tolerância à crítica, com tendência a controlar ou desvalorizar os outros.
A dividir o fenómeno, a especialista aponta para as expectativas de género: homens são incentivados à assertividade e dominância, enquanto as mulheres são educadas para agradar e cuidar. Assim, traços narcísicos surgem de forma mais indireta nas mulheres, e mais toleradas nos homens.
Relações marcadas pela culpa, manipulação ou ausência de empatia
As características associadas ao narcisismo podem ter impacto intenso nas relações afetivas. Em perfis grandiosos, predomina o controlo e a dificuldade em assumir responsabilidade emocional; em perfis vulneráveis, surgem padrões como chantagem emocional e hipersensibilidade.
Apesar de existir tratamento, a psicoterapia é um caminho exigente. Muitas pessoas com traços narcísicos resistem à mudança, veem a crítica como ameaça e têm pouca consciência do impacto dos seus comportamentos. A terapia foca no desenvolvimento emocional e em relações mais saudáveis.
Isabel Silvestre lembra que o narcisismo não define toda a personalidade nem está presente em todos os casos. Por trás da grandiosidade ou da necessidade de atenção, pode existir uma fragilidade emocional profunda, que requer compreensão e abordagem cuidadosa, sem justificar comportamentos destrutivos.
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