- Luís Silva começou a jogar jogos de computador por volta dos dez anos, evoluindo para apostas desportivas online.
- A aposta trouxe euforia e dinheiro fácil, mas depois surgiram perdas, dívidas e a ilusão de que a próxima aposta resolveria tudo, chegando a perder salários no próprio dia.
- Passou dias sem dinheiro, afastou-se de relações e perdeu a confiança de quem o rodeava; chegou a passar fome, a manipular e a roubar.
- A família tentou ajudar, especialmente a mãe, mas acabou por se afastar quando percebeu a ausência de vontade de mudar.
- Procurou ajuda na Linha d’Água, no Bombarral, entrou em reabilitação com terapia, regras mais apertadas e isolamento inicial; a última aposta foi há seis anos.
Passei fome por causa do vício do jogo, recorda Luís Silva, hoje com 32 anos. A história dele começa aos 10 anos, com jogos de computador, que o levaram a pensar neles durante as aulas e a desejar o regresso a casa para jogar.
A obsessão cresceu e evoluiu para apostas desportivas online. A primeira experiência trouxe euforia, sensação de poder e dinheiro fácil, mas as perdas seguiram-se rapidamente, inclusive salários perdidos no mesmo dia em que eram recebidos.
No decorrer dos anos, Luís acumulou dívidas graves e a ilusão de que a próxima aposta resolveria tudo. Chegou a jogar desde cedo pela manhã até esgotar o dinheiro, chegando a ficar dias isolado a recuperar emocionalmente.
Ao longo do tempo, perdeu relações e a confiança de pessoas próximas. A mãe, Zélia Silva, passou a desconfiar dos pedidos constantes de dinheiro e das desculpas inventadas. A família afastou-se quando percebeu que não havia vontade de mudança.
O jovem procurou ajuda numa altura em que já não via saída. Entrou na Linha d’Água, clínica de reabilitação no Bombarral, onde realizou terapias, cumpriu regras mais rigorosas e enfrentou um regime de isolamento inicial.
Segundo a instituição, o objetivo é trabalhar o problema de forma integrada, com acompanhamento psicológico e comportamental. Luís envolve-se em atividades que ajudam a gerir a dependência e a recuperar a autonomia.
A última aposta ocorreu há cerca de seis anos, marcando o início de uma mudança que ainda hoje se mantém em curso. A clínica relata que a recuperação envolve trabalho contínuo, rede de apoio e estratégias de prevenção de recaídas.
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