Os ataques aos serviços de saúde em zonas de conflito continuam a aumentar, alertam especialistas humanitários. Em uma carta conjunta, o presidente do Comité Internacional da Cruz Vermelha, o diretor-geral da OMS e o presidente de Médicos Sem Fronteiras apelaram aos líderes mundiais para que assumam uma liderança política firme e pondo fim à violência contra cuidados de saúde.
As organizações lembram que “os cuidados de saúde nunca podem ser uma vítima da war” e destacam a aprovação unânime da Resolução 2286 pelo Conselho de Segurança da ONU. A resolução visa proteger pessoal, infraestruturas, transportes e equipamentos médicos em conflitos armados.
Conforme apontam, a situação tem piorado nos últimos dez anos. A violência continua a alcançar hospitais, unidades de saúde e profissionais, mantendo ineficaz o conjunto de normas que visam mitigar os impactos da guerra.
Aumento de ataques a unidades de saúde tem sido observado globalmente. Entre décadas de referência, já ocorreram bombardeamentos na Síria e no Iémen, tiros de artilharia na Ucrânia e na Palestina, ataques com drones em Myanmar e agressões a ambulâncias em Camarões, no Haiti e no Líbano.
Em 2025, o Sistema de Vigilância da OMS contabilizou 1 348 ataques a serviços de saúde, com 1 981 vítimas fatais. O Sudão foi o país mais afetado, com 1 620 mortes, seguido de Myanmar, Palestina, Síria e Ucrânia.
Desde o início de 2026, a OMS reportou 521 ataques em 13 países, resultando em 408 óbitos. A Ucrânia registou que os ataques contra cuidados de saúde aumentaram quase 20% face a 2024, segundo a OMS.
Desde a invasão russa em fevereiro de 2022, a OMS documentou pelo menos 2 881 ataques na Ucrânia. Esses incidentes atingiram profissionais, instalações, ambulâncias e armazéns médicos, com impactos persistentes na assistência.
Segundo a Médicos Sem Fronteiras, o número de incidentes atingiu o pico em 2024 e 2025, com um nível semelhante já previsto para 2026, segundo dados preliminares. A organização destaca danos contínuos às unidades de saúde.
As três entidades concluem que as violações não decorrem apenas de falhas legais, mas da falta de vontade política para cumprir regras que protegem cuidados de saúde em guerras. A exigência é de ação imediata dos líderes mundiais.
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