- A IGAS está a averiguar as alegadas dez mortes de doentes à espera de cirurgia cardíaca na Unidade Local de Saúde de Santo António, no Porto.
- O processo foi instaurado a 6 de abril, a partir de notícias publicadas a 19 de fevereiro, conforme comunicação da IGAS de 24 de abril.
- Em fevereiro, o diretor de serviço de Cardiologia da ULSSA afirmou que dez doentes morreram nos últimos três anos devido a uma lista de espera elevada.
- A situação levou diretores de serviço de cardiologia de quatro hospitais da região a subscrever uma carta sobre a cirurgia cardíaca, gerando alertas sobre a escassez de recursos humanos.
- A Entidade Reguladora da Saúde abriu um processo de avaliação sobre constrangimentos de acesso à cirurgia cardíaca no SNS, e a secretária de Estado da Saúde indicou condições para TAVI na ULSSA, exigindo equipa cirúrgica interna.
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) está a averiguar alegadas mortes de doentes à espera de cirurgia cardíaca na Unidade Local de Saúde de Santo António (ULSSA), no Porto. O processo foi instaurado após notícias divulgadas por meios de comunicação social. A IGAS confirma que o despacho de abertura ocorreu a 6 de abril.
Segundo informações consultadas pela Lusa, as notícias de 19 de fevereiro referiram que o director de serviço de Cardiologia da ULSSA indicou 10 óbitos nos últimos três anos relacionados com uma lista de espera elevada. O objetivo do processo é esclarecer a veracidade das informações sobre a lista de espera.
A 19 de fevereiro, o Diário de Notícias publicou uma carta de diretores de serviço de cardiologia de quatro hospitais do Norte, incluindo o Santo António, dirigida à ministra da Saúde. A missiva alertava para a situação da cirurgia cardíaca na região.
Contexto e implicações
Na mesma data, foi referido o interesse na ULSSA acolher um centro de referência para cirurgia cardíaca, embora haja receio de perda de recursos humanos e de esvaziamento de serviços existentes. Em 25 de fevereiro, a Entidade Reguladora da Saúde abriu um processo de avaliação sobre constrangimentos de acesso à cirurgia cardíaca.
A Ordem dos Médicos pediu à tutela que apure a veracidade das mortes associadas à espera por cirurgia cardíaca e tome medidas. O bastonário destacou a necessidade de avaliação imediata pela Direção-Executiva do SNS.
A 22 de abril, a secretária de Estado da Saúde indicou que a ULSSA reúne condições para ser centro afiliado de colocação de válvulas aórticas percutâneas (TAVI). A responsável afirmou que é essencial ter uma equipa cirúrgica interna para viabilizar o programa, recebendo um cirurgião cardíaco já contratado desde 2016.
Situação atual
No Norte, doentes que precisam de intervenção cardíaca são encaminhados para a ULS São João, ULS de Gaia/Espinho e ULS de Braga. Esta última, segundo relatos, estava parcialmente a funcionar a 20% da capacidade há cerca de dois meses, com previsão de recuperação total ainda este ano.
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