- Em finais de 2025 estavam 2.703 pessoas em lista de espera para cirurgia cardíaca, um agravamento face ao ano anterior.
- Não foram emitidos vales cirurgia nem notas de transferência em 2025, segundo a Entidade Reguladora da Saúde (ERS).
- Os vales podem ser usados em hospitais públicos com capacidade SNS ou em privados e sociais com convenção SIGIC; a emissão depende da disponibilidade das instituições.
- A ERS aponta que, se algumas unidades manifestaram zero disponibilidade, é porque não cumprem condições exigíveis; caso contrário, não há referênciação.
- Ao longo dos últimos três anos a atividade cirúrgia cardíaca manteve-se relativamente estável, mas houve redução acentuada no segundo semestre de 2025; os tempos máximos de resposta garantidos continuam acima de 55%.
A lista de espera para cirurgia cardíaca em Portugal agravou-se em 2025, superando os 2.700 pacientes. No final desse ano, eram 2.703 pessoas aguardando intervenção, segundo a Entidade Reguladora da Saúde (ERS). A administração não emitiu vales de cirurgia para operações nos hospitais dos setores privado ou social com convenção com o SNS.
A ERS explicou que, nos hospitais de destino, que incluem privados e sociais com convenção SIGIC, bem como públicos com capacidade de atender utentes de outras unidades SNS, não houve emissão de vales nem de notas de transferência em 2025. A entidade destacou ausências ou apenas ocorrências pontuais de atividade nesse âmbito.
António Pimenta Marinho, presidente da ERS, mencionou que a emissão de vales depende da disponibilidade declarada pelas instituições para realizar o procedimento. Caso haja indisponibilidade, não há referência a utentes, o que pode refletir a falta de condições exigíveis em alguns hospitais. Se o tempo de resposta ultrapassar o permitido, a nota de transferência permite escolha entre hospitais públicos; o vale cirurgias amplia a decisão para instituições públicas, privadas e sociais.
Nos últimos três anos, a atividade cirúrgica cardíaca manteve-se relativamente estável, mas houve queda acentuada no segundo semestre de 2025. A ERS apontou que os tempos máximos de resposta garantidos (TMRG) tem estado acima de 55% de incumprimento nos últimos seis trimestres. As primeiras consultas de cardiologia registaram aumento a partir de 2024, com pico no final de 2025, indicou a entidade reguladora.
A ERS traça um registo desde 2018 do volume de atividade e do cumprimento dos TMRG, expandindo a monitorização desde 2023 a entidades dos setores privado e social que realizam primeiras consultas e cirurgias através de acordos com o SNS. Em cruzações de dados, têm sido identificados problemas de registo de atividade, o que pode afetar a monitorização das listas de espera. As recomendações foram dirigidas a várias entidades públicas, incluindo o Ministério da Saúde.
Numa atualização recente, a secretária de Estado da Saúde indicou no parlamento que quase 330 pacientes morreram entre 2021 e 2025 à espera de cirurgia cardíaca. Foi anunciada a publicação de um despacho para rever as redes de referenciação.
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