- Entre 2015 e 2025 registaram-se 3.057 consultas de psicologia na Universidade de Lisboa, registando um aumento após a pandemia.
- 93% das pessoas que recorreram são alunos; mais de metade ocorreu entre 2021 e 2025.
- As principais problemáticas identificadas foram ansiedade (58%), quadros depressivos (24%) e dificuldades na gestão de emoções (18%).
- A procura é maior no início do ano letivo, especialmente entre setembro e novembro, com 1.056 consultas nesse período em dez anos.
- A maioria dos pacientes são mulheres (74%); as consultas são gratuitas para quem tem bolsa e custam 7 euros para os restantes, com atendimento na Cidade Universitária e na Ajuda, e uma Semana da Saúde & Bem-Estar prevista para rastreios de saúde mental e debates sobre ansiedade.
As consultas de psicologia da Universidade de Lisboa registaram um ligeiro aumento após a pandemia, totalizando 3.057 atendimentos entre 2015 e 2025. A instituição afirma que o número não é alarmante e reflete o estigma que ainda envolve este tipo de apoio.
Segundo a pró-reitora Maria José Chambel, 93% das pessoas que recorreram aos serviços são estudantes. A responsável destaca que alguns alunos necessitam de acompanhamento, mas podem não procurar, ainda por associar a doença mental a uma discriminação social.
O estudo analisa um universo de milhares de estudantes e docentes abrangidos pelo período, com ênfase nos efeitos da pandemia de COVID-19 na procura por apoio psicológico. A pandemia é apontada como possível fator de aumento da procura.
Perspetiva temporal e características
Entre 2015 e 2025, mais de metade das consultas ocorreu entre 2021 e 2025, sendo que antes de 2021 não se registava mais de 303 atendimentos anuais. Nos últimos anos, números anuais acima de 400 foram observados, com o pico em 2022 (415).
Chambel admite que há mais informação sobre saúde mental hoje e que a intervenção precoce é uma prioridade. A pandemia em 2020 é citada como elemento que pode ter impulsionado o reconhecimento da necessidade de apoio.
As principais problemáticas identificadas são ansiedade (58%), quadros depressivos (24%) e dificuldades de gestão emocional (18%). O relatório aponta uma clara concentração de casos em determinados tipos de dificuldades.
Acesso, custos e ações de sensibilização
A maior parte das consultas ocorre no início do ano letivo, nos meses de setembro a novembro, com 1.056 atendimentos no conjunto de dez anos. Junho a agosto apresentam menor procura.
A maioria dos utentes são mulheres (74%), segundo o estudo, uma tendência que a pró-reitora atribui a menor impedimento social para pedir ajuda entre alunas. O serviço é gratuito para estudantes com bolsa; para os restantes o custo é de sete euros.
A Universidade de Lisboa adianta que decorre a Semana da Saúde & Bem-Estar, entre terça e quinta-feira, com rastreios de saúde mental e debates sobre ansiedade. A iniciativa visa aumentar a literacia e reduzir o estigma.
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