O acesso à psicoterapia no Serviço Nacional de Saúde (SNS) é ainda insuficiente, afirmam especialistas. A alertar estão o investimento e a disponibilidade de serviços, mesmo diante de maior consciencialização sobre saúde mental.
A liderança da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental destaca que uma parte relevante das pessoas com doença mental não obtém tratamento, seja por não procurarem ajuda, ou por dificuldades no acesso.
O presidente eleito Albino Oliveira-Maia aponta que, após a pandemia, há maior procura, mas muitos desistem ao depararem-se com obstáculos de acesso. Atualmente, a disponibilidade de cuidados de saúde mental não satisfaz a procura.
Miguel Ricou, presidente do Conselho de Especialidade de Psicologia Clínica da Ordem dos Psicólogos Portugueses, descreve a ida às consultas como um momento crítico. Se não houver acesso rápido, há atraso significativo.
Ricou explica que, quando a consulta chega, pode já não estar o momento adequado para iniciar o acompanhamento. O reforço de equipas e de coordenação entre profissionais é defendido para evitar intervenções dispersas.
A notícia surge num contexto de aumento de vendas de psicofármacos em 2025, que chegaram a quase 29,4 milhões de embalagens, com encargos do SNS estimados em 152 milhões de euros, segundo a Infarmed.
Para Albino Oliveira-Maia, há sinais de melhoria no acesso a cuidados de saúde primários e de especialidade, mas ainda insuficiente para a doença mental. A avaliação aponta uma necessidade de investimento proporcional à carga da doença.
Ana Matos Pires, da Coordenação Nacional das Políticas de Saúde Mental, observa que o enquadramento comunitário permite chegar mais cedo aos doentes. Ainda assim, sublinha que psicoterapia e psicoeducação são essenciais.
Os especialistas defendem que, sem acesso suficiente a psicoterapia, os médicos de família recorrem à farmacoterapia. Ampliar equipas de saúde mental e promover comunicação entre profissionais são medidas apontadas como prioritárias.
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