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ChatGPT identificou patologia; e se tivesse errado?

A IA de finalidade geral pode diagnosticar, mas o regime regulatório não acompanha; exige-se transparência e encaminhamento para cuidados profissionais

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Na leitura atual da saúde digital, um caso recente coloca perguntas sobre a capacidade da IA em diagnosticar patologias. Em julho de 2025, um sistema de IA replicou a façanha de um médico numa situação clínica real. O episódio envolve Phoebe Tesoriere, uma professora de 23 anos de Cardiff, que tinha passado quatro anos com diagnósticos incorretos.

Phoebe descreveu no ChatGPT o seu quadro clínico, que já incluía histórico de epilepsia, dor e limitações de locomoção. Quase todas as avaliações anteriores atribuíram os sintomas à ansiedade. Em 2022 chegou o diagnóstico de epilepsia; em 2024 houve agravamento com convulsões e uma possível Paralisia de Todd.

Em 2025, a IA sugeriu paraplegia espástica hereditária, após uma análise do seu historial clínico. Os testes genéticos confirmaram o diagnóstico proposto pela Inteligência Artificial, acrescentando perplexidade à relação entre médico e máquina.

Regulamentação e controvérsia

Uma investigação publicada na Nature indicou que IA de uso clínico diagnosticou uma doença fictícia criada para testar a robustez dos sistemas. O estudo recomenda consultas com médicos para confirmar diagnósticos não verificáveis pela IA.

O Regulamento 2024/1689 classifica sistemas de risco elevado apenas aqueles integrados em dispositivos médicos com avaliação de conformidade. Esses modelos de finalidade geral ficam, em princípio, fora desse regime rigoroso.

A OpenAI afirma que o ChatGPT Health não substitui diagnóstico ou tratamento, apesar de milhões usarem a ferramenta para questões de saúde. O paradoxo é que a aplicação clínica massiva da IA não está sujeita ao mesmo regime que dispositivos médicos com IA.

Perspetivas futuras

Em dezembro de 2025, a Comissão Europeia propôs mover sistemas de IA integrados em dispositivos médicos para o regime MDR, retirando-os do regime de IA de risco elevado do AIA. A medida altera o equilíbrio regulatório entre uso clínico e supervisão normativa.

Defende-se uma categoria intermédia: IA de finalidade geral que impacta a saúde, sujeita a transparência, limites claros e encaminhamento para profissionais de saúde. A OMS já recomenda esse tipo de sinalização ao utilizador.

Conclusões e impactos

Tal como um medicamento vem com folheto informativo, uma IA usada para fins clínicos deverá informar sobre riscos, limitações e encaminhar para profissionais. O objetivo é preservar a segurança do paciente sem restringir o avanço tecnológico.

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