- A Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros denunciou deslocações de enfermeiros sem notificação formal para a nova urgência regional de ginecologia e obstetrícia do Hospital Garcia de Orta, em Almada.
- A ASPE manifesta preocupação com a implementação da urgência centralizada da Península de Setúbal, que entrou em funcionamento e terá promovido as deslocações de enfermeiros da Unidade Local de Saúde do Arco Ribeirinho.
- Foram questionados critérios de seleção, de integração clínica, de responsabilidades hierárquicas, bem como questões de transporte, ajudas de custo e acesso aos sistemas de informação.
- A ASPE alerta para a redução da atividade no Hospital do Barreiro, com a urgência de obstetrícia encerrada entre quinta-feira e domingo e apenas equipas mínimas em funcionamento nos restantes dias.
- O Garcia de Orta passa a funcionar como urgência regional para a Península de Setúbal, com o São Bernardo a assegurar o serviço na outra área de influência; em Almada nasceram cerca de 2.200 crianças em 2025.
A Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE) denunciou, nesta quarta-feira, deslocações de enfermeiros, sem notificação formal, para a nova Urgência regional de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Garcia de Orta, em Almada. A abertura da urgência centralizada da Península de Setúbal está em funcionamento desde hoje, segundo a ASPE. A denúncia aponta para a transferência de enfermeiros especialistas em Saúde Materna e Obstétrica da Unidade Local de Saúde (ULS) do Arco Ribeirinho.
A associação questiona os critérios de seleção, a integração clínica e as responsabilidades hierárquicas, bem como as questões logísticas de transporte, ajudas de custo e acesso aos sistemas de informação. Alegam ainda que as deslocações já constavam das escalas de abril sem aviso individual ou enquadramento formal aos profissionais.
Contexto da reorganização
A ASPE alerta para a redução da atividade no Hospital do Barreiro, onde o bloco de partos funcionaria apenas para procedimentos programados de segunda a quarta, com encerramento total entre quinta-feira e domingo. Mantêm-se equipas mínimas na urgência de obstetrícia e ginecologia nessa unidade.
A associação afirma que a reorganização implica o encerramento da urgência obstétrica e ginecológica no Barreiro, contradizendo declarações da ministra da Saúde e orientações da Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Solicitou esclarecimentos formais à presidência do Conselho de Administração da ULS Arco Ribeirinho e informou a Direção Executiva do SNS, exigindo acompanhamento próximo e comunicação transparente com os trabalhadores.
Estrutura da urgência regional
O Garcia de Orta funciona como urgência regional de ginecologia e obstetrícia para a Península de Setúbal, respondendo à carência de profissionais na área. Em 2025, Almada registou cerca de 2.200 partos, contribuindo para a decisão de criar a dupla de polos de urgência.
A urgência centralizada opera com dois polos: no Garcia de Orta e no Hospital de São Bernardo, ambos assegurando atendimento à população de influência local. O hospital-sede coordena o serviço com apoio perinatal diferenciado; o São Bernardo cobre várias áreas de Setúbal e concelhos vizinhos.
Rodapés operacionais
O Hospital do Barreiro mantém a continuidade da maternidade, ainda que a urgência obstétrica e ginecológica esteja em fase de reorganização, segundo a Direção Executiva do SNS. Autarcas e representantes de utentes têm questionado este modelo de rede de urgência regional.
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