A Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE) denunciou, esta quarta-feira, a deslocação de enfermeiros para a nova Urgência regional de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Garcia de Orta, em Almada, sem notificação formal de colocação. A medida envolve enfermeiros especialistas em Saúde Materna e Obstétrica da Unidade Local de Saúde (ULS) do Arco Ribeirinho.
Segundo a ASPE, as deslocações constam das escalas de abril, sem enquadramento individual ou comunicação aos trabalhadores. Questionam-se os critérios de seleção, de integração clínica e de responsabilidades hierárquicas, bem como questões logísticas como transporte, ajudas de custo e acesso aos sistemas de informação.
A associação alerta ainda para a redução da atividade no Hospital do Barreiro, onde o bloco de partos passará a funcionar apenas para procedimentos programados de segunda a quarta-feira, encerrando entre quinta-feira e domingo. Permanecem equipas mínimas na urgência de obstetrícia e ginecologia.
Reação institucional e contexto
Para a ASPE, a reorganização da urgência no Barreiro contraria declarações da ministra da Saúde e orientações da Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS). A associação pediu esclarecimentos formais à Presidente do Conselho de Administração da ULS Arco Ribeirinho e informou o SNS, solicitando acompanhamento próximo e comunicação transparente com os trabalhadores.
O Hospital Garcia de Orta passa a funcionar como urgência regional da Península de Setúbal, com duas polos previstos: Garcia de Orta e Hospital de São Bernardo, em Setúbal. A medida visa responder à falta de médicos na especialidade.
A urgência regional terá apoio perinatal diferenciado para a área de influência de cada hospital. No caso de Setúbal, os serviços deverão apoiar o Garcia de Orta e o São Bernardo na cobertura da população correspondente.
Dados da região e próximos passos
O Garcia de Orta é o hospital de referência para a região do Seixal ao norte de Setúbal, recebendo partos significativos. Em 2025, Almada registou cerca de 2.200 partos. A implementação da urgência centralizada é a segunda a abrir, seguindo o modelo já aplicado, em março, no Beatriz Ângelo, em Loures.
A Direção Executiva do SNS destacou que a maternidade do Barreiro irá manter funcionamento, ainda que a urgência obstétrica e ginecológica atravesse alterações de organização. A situação é acompanhada pelas autarquias locais e por representantes dos utentes.
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