- O presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, Luís Duarte Costa, demitiu-se no final de Fevereiro do cargo de diretor do Serviço de Urgência Geral da Unidade Local de Saúde Amadora-Sintra.
- A demissão decorre da impossibilidade de reduzir o número de doentes internados no SUG, uma das principais causas da pressão sobre as urgências.
- O problema central é a incapacidade de drenar os doentes para enfermarias, com muitos permanecendo internados por questões sociais, o que representava 25% dos internamentos.
- Discutiu-se a criação de respostas para casos sociais, eventual hospital social e o uso das 60 camas do Hospital de Sintra, mas não foi possível implementar.
- Em 9 de março, a ULS Amadora-Sintra nomeou uma Comissão de Gestão do SUG, composta por oito médicos, que permanece em funções até à nomeação de um novo director.
O presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, Luís Duarte Costa, entregou a demissão do cargo de director do Serviço de Urgência Geral (SUG) da Unidade Local de Saúde Amadora-Sintra, no final de Fevereiro. A decisão surgiu numa altura em que não foi possível cumprir o plano de redução de doentes internados no alívio daquele serviço.
Segundo o médico, o grande obstáculo é a impossibilidade de drenar os pacientes internados de forma eficaz para enfermarias. Com as equipas de urgência dedicadas a vigiar os casos cadastrados no dia, ficam presas aos 75 internados permanentes.
O internista aponta que uma parte relevante do problema são casos sociais, que representam cerca de um quarto dos internamentos, devido à limitação da dimensão do hospital para a população que serve.
Desdobramentos internos
Entre as soluções discutidas estavam respostas específicas para casos sociais, um eventual hospital social e a utilização de camas disponíveis no Hospital de Sintra. Contudo, essas medidas não chegaram a ser implementadas.
A 9 de Março, a ULS Amadora-Sintra criou uma Comissão de Gestão do Serviço de Urgência, com oito médicos, que permanece em funções até à nomeação de um novo director. A instituição não anunciou prazos para essa nomeação.
Sobre a pressão na urgência, o antigo director afirma que a escassez de profissionais não é a raiz do problema: muitos médicos acabam por ficar presos aos doentes internados, o que reduz a capacidade de atendimento diário.
Luís Duarte Costa sustenta que o fenómeno persiste há décadas e contribui para a saída de profissionais, dificultando a atração de novos médicos. O responsável aponta a necessidade de reorganizar serviços para reduzir a dependência de camas no serviço de urgência.
O médico defende reforçar o papel da medicina interna e o trabalho em equipas multidisciplinares, com foco na organização centrada no doente e na integração com cuidados primários, para reduzir a pressão sobre as urgências.
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