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Viagem espacial pode provocar perda óssea e visão turva, mostra estudo

Viagem à face oculta da Lua expõe riscos graves à saúde, incluindo perda óssea, alterações cardiovasculares e impacto na visão

Astronauta da ASA Christina Koch, especialista da missão Artemis II, faz verificações ao fato espacial na sala de preparação da tripulação
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  • A tripulação da missão Artemis II regressou à Terra, após viajar 406 771 quilómetros até à face oculta da Lua, a maior distância já alcançada por um humano no espaço.
  • A NASA identifica cinco grandes perigos nos voos espaciais: radiação, isolamento e confinamento, distância da Terra, gravidade (ou a sua ausência) e ambientes fechados ou hostis.
  • O corpo humano não está preparado para a ausência de gravidade, que pode reduzir a densidade óssea (entre 1% e 1,5% por mês) e provocar alterações no coração e nos vasos sanguíneos, com risco de coágulos e arritmias.
  • A ausência de peso desloca fluidos para o cérebro, afetando a visão e a pressão intracraniana, levando à síndrome neuro-ocular associada aos voos espaciais.
  • Além do impacto físico, há efeitos na saúde mental, sono e nutrição; a NASA desenvolve medidas de prevenção, monitorização médica e apoio a bordo para missões longas.

A tripulação da missão Artemis II retornou à Terra, após viajar 406 771 quilómetros até à face oculta da Lua. Foi a maior distância já alcançada por seres humanos no espaço. O objetivo é estudar os efeitos do voo prolongado no corpo humano, em contexto de exploração lunar.

A NASA identifica cinco grandes perigos: radiação, isolamento, distância da Terra, gravidade e ambientes fechados. Cientistas procuram entender como mitigar estes riscos para futuras missões a Lua e Marte.

Impacto no corpo

O corpo humano não foi feito para o espaço. A gravidade reduzida pode diminuir a densidade óssea e alterar o funcionamento do coração. Enjoo e desorientação também surgem com mudanças na gravidade.

A gravidade ausente afeta o sistema cardiovascular, com riscos de coágulos, arritmias e pressão arterial baixa. Ossos podem perder entre 1% e 1,5% da densidade por mês numa missão de quatro a seis meses.

A ausência de peso provoca redistribuição de fluidos, o que pode afetar a visão e elevar a pressão intracraniana, gerindo um quadro conhecido como síndrome neuro-ocular.

Ritmos de vida e nutrição

No espaço, horários não funcionam como na Terra. Elevadas flutuações de luz podem perturbar o sono e os ritmos circadianos. Em estações com 16 nasceres e 16 pores-do-sol diários, o sono fica comprometido.

As refeições mudam: necessidades energéticas e nutrientes variam no espaço. Estudos apontam ingestão insuficiente de energia, líquidos, cálcio e sódio em missões anteriores. Nutrição busca energia e proteção contra efeitos adversos.

A equipa científica visa refeições seguras, nutritivas, duradouras, simples de preparar e com variedade para evitar saturação do menu.

Saúde mental e apoio

O isolamento, o confinamento e a distância da Terra aumentam o stress, com impacto potencial na ansiedade e na moral. A NASA sublinha a importância de manter a saúde psicológica durante as missões.

Medidas de apoio incluem registo diário, exercício regular, interesse pela música e comunicação com pessoas próximas. A gestão do bem‑estar é considerada essencial para o sucesso das operações.

Preparação médica e prevenção

Se surgir doença a bordo, os membros da tripulação recebem apoio médico contínuo. A NASA aposta em medidas preventivas, como suplementação vitamínica, exames médicos completos e quarentena pré-lançamento de 14 dias.

Os recursos médicos a bordo são adaptados às situações previstas, dando prioridade a tratamentos que sejam eficazes e com efeitos secundários mínimos. A maioria das situações pode ser gerida com opções disponíveis na Terra.

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