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Maus-tratos a idosos passam despercebidos pelos centros de saúde

A detecção e notificação de maus-tratos a idosos está fragilizada: só 36,5% dos médicos de família sabem reportar casos suspeitos

O receio de quebrar a confidencialidade e a confiança do doente pode ajudar a explicar que alguns casos não sejam reportados
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  • Estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto avaliou médicos de família de várias regiões portuguesas sobre maus-tratos a pessoas com 65 anos ou mais.
  • Conclusão: casos de maus-tratos escapam aos centros de saúde; dois terços não desconfiaram de qualquer caso no ano anterior ao estudo, e 32% suspeitaram de pelo menos um caso.
  • Apenas 36,5% dos médicos de família sabiam como reportar os casos suspeitos.
  • Cerca de 55% dos médicos mostram confiança em identificar sinais de abuso; o principal desafio é a ambiguidade dos sintomas psicológicos.
  • Recomendações: formação específica, maior colaboração com assistentes sociais, clarificação de critérios de diagnóstico e protocolos que facilitem a notificação; a FMUP oferece cursos sobre o tema.

O estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto aponta que casos de maus-tratos a pessoas com 65 anos ou mais passam despercebidos pelos centros de saúde. A divulgação ocorreu nesta quarta-feira, com base em respostas de clínicos de várias regiões do Norte de Portugal. A investigação analisa detecção e notificação, destacando limitações no sistema.

Segundo os dados, 94% dos médicos reconhecem a responsabilidade de detectar maus-tratos, mas dois terços não suspeitaram de nenhum caso nos 12 meses anteriores. A pesquisa envolveu mais de 350 clínicos de várias áreas, incluindo o Alto Minho e a Área Metropolitana do Porto.

A disponibilidade de tempo e a falta de protocolos são apontadas como fatores-chave para a fraca deteção. A equipa também concluiu que apenas 36,5% dos médicos sabem como reportar os casos suspeitos, evidenciando falhas no fluxo de notificação.

Desafios na prática clínica

Os autores sublinham a necessidade de formação adicional, tanto para profissionais em formação como para já ativos. A pesquisa recomenda uma maior colaboração com assistentes sociais e a clarificação de critérios de diagnóstico, bem como a implementação de protocolos simples para a notificação.

Entre as causas citadas para a dificuldade estão a ambiguidade de sinais psicológicos, receio de ofender pacientes e temores sobre confidencialidade. Os resultados sugerem que a identificação rápida de sinais de violência pode reduzir riscos de ferimentos e problemas de saúde a longo prazo.

Os investigadores destacam que a violência contra idosos abrange violência física e psicológica, abuso financeiro, negligência e outros abusos potencialmente graves. O estudo intitula-se Reading between the lines e foca na detecção e notificação nos cuidados primários.

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