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Medicação para Parkinson associada a depressão com vícios de sexo, jogo e compras

Investigação aponta possível relação entre agonistas da dopamina usados em Parkinson e vícios de sexo, jogo e compras; alertas médicos considerados inadequados

Vários pacientes relataram hipersexualidade
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  • A BBC publicou uma investigação sugerindo uma possível ligação entre o uso de agonistas da dopamina para depressão, Parkinson e outras condições neurológicas e o desenvolvimento de vícios em sexo, jogo e compras.
  • O relatório baseia-se em entrevistas com cerca de 250 pessoas que desenvolveram comportamentos compulsivos após tomarem estes medicamentos que estimulam receptores de dopamina.
  • Casos destacados incluem um cidadão francês que processou a farmacêutica por não ter sido avisado dos perigos e uma mulher de 52 anos, nos EUA, que passou a conduzir de forma imprudente, gastar muito e furtar.
  • O medicamento ropinirol, usado para lombr com Síndrome das Pernas Inquietas e depressão, é citado entre os que aumentam a atividade da dopamina; a BBC refere que milhões receberam estes fármacos a nível mundial.
  • A notícia surge numa altura em que se discute a necessidade de reforçar os alertas sobre efeitos colaterais e um comissário parlamentar britânico pediu à entidade reguladora de medicamentos que reavaliasse as notificações; o Governo classificou as descobertas como extremamente preocupantes.

Uma investigação da BBC revela preocupações sobre uma possível ligação entre certos medicamentos usados para depressão e doenças neurológicas com comportamentos compulsivos. O foco está nos agonistas da dopamina, prescritos para Parkinson, síndrome das pernas inquietas e depressão, entre outros, e na forma como podem estimular a motivação e a recompensa.

A reportagem do programa Global Story ouviu cerca de 250 pessoas que desenvolveram vícios em sexo, jogos de aposta e compras após iniciarem estes fármacos. A BBC também afirma que milhões receberam estas prescrições a nível mundial.

Entre os casos identificados, surge um cidadão francês que processou uma farmacêutica, alegando falta de alerta sobre riscos. O processo envolve hipersexualidade, fim de relacionamento e dependência de jogos de azar, com elevadas perdas financeiras.

Sharlene, de 52 anos, Massachusetts, começou a tomar agonistas da dopamina para depressão em 2016 e passou a conduzir de forma arriscada, gastar mais dinheiro e furtar. O relato evidencia consequências graves associadas aos medicamentos.

Uma outra mulher, chamada Emma, desenvolveu durante a gravidez a síndrome das pernas inquietas. Foi-lhe prescrito ropinirol, fabricado pela GSK, que aumentou a atividade dopaminérgica. Ela refere jogos compulsivos e compras impulsivas, com uma perda estimada de cerca de 34 mil euros.

Efeitos colaterais graves e contexto

A BBC recorda que, no início dos anos 2000, estudos mostraram efeitos adversos graves em parte dos pacientes, com estimativas que variaram entre 1 em 6 e, aponta-se, até 1 em 3. Ainda assim, os agonistas continuam a ser amplamente usados, com bulas contendo avisos.

Muitos pacientes consideram que os alertas são minimizados pelos médicos, o que tem levado a processos por negligência. As farmacêuticas dizem que os riscos são claramente comunicados e monitorizados.

Quase um ano depois da primeira divulgação, muitos pacientes afirmam que os médicos não os alertam de forma adequada sobre os efeitos ou sobre a frequência com que ocorrem. A BBC também aponta que a informação disponível pode não chegar a todos os pacientes.

Reacção regulatória

Na semana passada, o presidente da Comissão de Saúde do Parlamento britânico pediu ao regulador de medicamentos que reavaliasse os avisos sobre os efeitos colaterais. O Governo classificou as descobertas como extremamente preocupantes.

A peça mantém o foco na necessidade de informação clara para médicos e pacientes e na avaliação contínua dos riscos associados aos agonistas da dopamina. O material recolhido pela BBC serve de base para a análise regulatória em curso.

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