- Publicação nas redes sociais afirma ter e-mails entre Bill Gates e Jeffrey Epstein para “planear pandemias” em 2017, mas não há provas no material público.
- Os e-mails citados têm datas de 19 e 20 de março de 2015 e 3 de março de 2017; o conteúdo não descreve Gates como destinatário em todos os casos.
- Em 2015 falava-se de preparação para pandemias e de envolver a Organização Mundial de Saúde e a Cruz Vermelha Internacional; não há menção ao CDC.
- Existe um encontro em Genebra em 2015 sobre pandemias, organizado pelo Instituto Internacional da Paz, com participação de OMS e Cruz Vermelha, e menção ao trabalho com a Fundação Bill e Melinda Gates para combater a poliomielite.
- Exercícios de simulação de pandemias são comuns e não constituem previsão ou planeamento de eventos reais; verificações de fontes independentes concluíram que os e-mails não comprovam a ideia de que Gates e Epstein planeavam pandemias.
O PÚBLICO reproduz uma verificação de factos sobre a alegação de que emails partilhados nas redes sociais provam que Bill Gates e Jeffrey Epstein teriam planeado pandemias em 2017. A peça analisa o conteúdo publicado a 30 de Março de 2026 e contextualiza as mensagens com documentos oficiais. A conclusão preliminar é de que as mensagens não comprovam tal planeamento.
Os emails usados como prova referem datas de 19 e 20 de Março de 2015 e 3 de Março de 2017. O Departamento da Justiça dos EUA disponibilizou documentos oficiais, incluindo os próprios emails, para consulta pública. Procuradores indicam que as mensagens descrevem preparação para pandemias, com menção a organismos de saúde, mas não ligam explicitamente Gates a qualquer plano.
Alegações associam-se a um encontro em Genebra em 2015 promovido pelo Instituto Internacional da Paz, cujo objetivo era discutir lições de gestão de pandemias. O texto oficial do IPI cita o envolvimento de várias organizações, incluindo a OMS e a Cruz Vermelha Internacional, e menciona uma colaboração com a Fundação Bill e Melinda Gates no contexto de saúde global.
Outra mensagem de 2017 mostra apenas o nome de Gates na lista de destinatários, com o remetente parcialmente rasurado. O conteúdo refere entregáveis sobre uma hipotética simulação de pandemia. Não há evidência de que Epstein e Gates estivessem a planear uma pandemia concreta a partir dessas comunicações.
Vários fact-checkers, incluindo a AFP e o Observador, já esclareceram que os emails citados não comprovam um plano de Bill Gates com Epstein para desencadear pandemias. Exercícios de simulação de pandemias são comuns e, por si só, não implicam previsões ou ações reais.
O contexto global inclui iniciativas anteriores à Covid-19, como exercícios realizados pela OMS em 2018 e o evento Event 201 em 2019, envolvendo diversas organizações e a divulgação de cenários hipotéticos. Os organizadores explicaram que tais exercícios são para treino e não representam previsões oficiais.
O veredito das verificações é claro: os emails não demonstram que Gates e Epstein planeavam pandemias. Em vez disso, tratam-se de discussões sobre preparação e simulação de respostas a surtos hipotéticos, sem ligação direta a ações reais ou estratégias conjuntas entre as partes envolvidas.
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