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Portugueses estudam método para detectar risco de défice cognitivo após AVC

FMUP desenvolve método não invasivo com Doppler transcraniano para identificar doentes com maior risco de défice cognitivo após AVC, orientando intervenções terapêuticas mais protetoras

Portugueses estudam método para identificar risco de défice cognitivo após AVC
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  • Investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto desenvolveram um método não invasivo para identificar pacientes com maior risco de défice cognitivo após o AVC, usando doppler transcraniano.
  • Estudo com 316 doentes, com média de idade de 67 anos, revelou que a passagem de micro-êmbolos para o cérebro duplica o risco de défices cognitivos a longo prazo.
  • A monitorização ocorre nas primeiras 72 horas após o AVC, à cabeceira do doente, envolvendo uma técnica simples, portátil e sem radiação.
  • Os resultados foram publicados na revista Stroke, em setembro de 2025, e destacam o potencial da neurossonologia como ferramenta clínica.
  • O próximo passo é um novo ensaio clínico para verificar se tratar mais agressivamente os pacientes com microembolismo reduz o declínio cognitivo; o estudo foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

Um grupo de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) está a desenvolver um método não invasivo para identificar doentes com maior risco de défice cognitivo após AVC. O estudo, divulgado este domingo, envolve análise de micro-êmbolos durante as primeiras 72 horas após o evento. O objetivo é permitir tratamentos mais protetores e reduzir sequelas futuras.

A investigação, baseada em 316 sobreviventes de AVC admitidos no Hospital de São João, no Porto, conclui que a passagem de micro-îmbolos para o cérebro aumenta o risco de défices cognitivos a longo prazo. Os investigadores destacam que o condicionamento não depende apenas da lesão inicial, mas da continuação do microembolismo cerebral.

O que se verifica no terreno é que a monitorização com doppler transcraniano deteta sinais microembólicos em tempo real, funcionando como um radar junto ao leito do paciente. O método foi descrito como não invasivo, portátil, de baixo custo e sem radiação, podendo ser realizado à cabeceira.

Voos de continuidade clínica

Segundo Pedro Castro, professor da FMUP e investigador principal, os défices cognitivos podem resultar da continuação do microembolismo, mesmo que a lesão do AVC não seja grave. A pesquisa alerta para um mecanismo fisiopatológico de declínio cognitivo que pode coexistir com lesões já existentes.

A equipa realça que esta é a primeira aplicação da neurossonologia para prever défices cognitivos em doentes na fase aguda de AVC. O estudo enfatiza a utilidade clínica de uma ferramenta simples que pode orientar decisões terapêuticas mais assertivas.

A publicação da descoberta ocorreu na revista Stroke em setembro de 2025. O estudo foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). A FMUP adianta que o próximo passo é um novo ensaio clínico para confirmar se intervenções mais agressivas em doentes com sinais microembólicos reduzem o declínio cognitivo a longo prazo.

Perspetivas e liderança científica

A linha de investigação cerebrovascular, que utiliza ultrassonografia, foi criada pela professora Elsa Azevedo, neurologista e líder de investigação na área das Neurociências do RISE-Health. A equipa sublinha que os resultados apontam para um caminho de rastreio de alto risco, com benefícios potenciais para tratamentos específicos.

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