- A última entrevista de Noelia Castillo, publicada na televisão pouco antes de receber a eutanásia em Espanha, gerou desinformação nas redes sociais sobre o seu historial clínico e a decisão.
- Uma das mensagens mais partilhadas alegava agressão sexual múltipla por menores estrangeiros não acompanhados; essa versão não consta no processo clínico ou administrativo.
- Noelia relatou três episódios de agressões ou abusos em discotecas e espaços nocturnos; o terceiro episódio ocorreu dias antes de a jovem ficar paraplégica, em outubro de 2022.
- A eutanásia não foi pedida por depressão isoladamente; a documentação aponta sofrimento crónico, sequelas físicas da paraplegia e avaliação de incapacidade de decisão, com outros diagnósticos (incluindo perturbação de personalidade e TOC).
- A Comissão de Garantia e Avaliação da Catalunha autorizou o procedimento a 18 de julho de 2024, considerando a situação clínica irreversível, dor e dependência grave; decisões judiciais seguintes validaram a legalidade e a autonomia de Noelia.
Noelia Castillo, jovem espanhola paraplégica, foi objeto de uma entrevista na televisão pouco horas antes de receber a ajuda para morrer. A aparição gerou uma vaga de mensagens nas redes, com apoio, oposição e boatos sobre o seu historial clínico e a sua capacidade de decisão.
Diversas mensagens difundiram afirmações sobre uma alegada agressão sexual sofrida pela jovem enquanto estava sob tutela da Generalitat. As informações circuladas foram contestadas pela documentação clínica e administrativa do caso.
A entrevista no programa Y ahora Sonsoles, da Antena 3, remontou a relatos de três episódios de violência relatados por Noelia. O primeiro ocorreu com um ex-companheiro, o segundo em discoteca e o terceiro envolvendo três pessoas, poucos dias antes da tentativa de suicídio em 2022.
A eutanásia gerou desinformação ao afirmar-se que seria a primeira em Espanha por depressão. A documentação clínica indica, porém, que a decisão assentou nas sequelas da paraplegia, dor crónica e sofrimento associadas, não numa perturbação depressiva isolada.
Relatórios psiquiátricos mostram depressão crónica e perturbação de adaptação com ansiedade, mas afastam uma doença que limitasse a capacidade de decisão. Existem diagnósticos de transtorno obsessivo-compulsivo e de transtorno borderline, sem comprometer a autonomia.
A Comissão de Garantia e Avaliação da Catalunha autorizou a prestação a 18 de julho de 2024, reconhecendo situação clínica irreversível, dependência grave, dor e sofrimento crónico. Decisões judiciais posteriores validaram a legalidade do procedimento.
O pedido esteve suspenso por um ano e oito meses devido a uma ação judicial do pai, que questionava a capacidade de decisão. Avaliadores concluíram que Noelia compreendia o alcance da decisão e podia agir de forma autónoma.
Segundo o processo clínico, a lesão medular completa a nível de L3 provocou paraplegia, dor neuropática, alterações sensoriais, incontinência e necessidade de cateterização a cada seis horas. A mobilidade era limitada e o sofrimento foi considerado persistente.
Entre na conversa da comunidade