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Quase 3 milhões de portugueses têm problemas intestinais, muitos sem saber

Quase três milhões de portugueses cultivam sintomas intestinais sem diagnóstico, revelando falhas na literacia em saúde e na resposta clínica

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  • Cerca de 45% da população entre 18 e 65 anos refere desconforto intestinal recorrente, equivalente a quase três milhões de portugueses.
  • Muitos destes casos ficam sem diagnóstico, devido à desvalorização dos sintomas e à normalização da situação.
  • O tema é visto como tabu e tem impactos sociais, psicológicos e económicos, incluindo ansiedade e redução da vida social e profissional.
  • A literacia em saúde é baixa, levando muita gente a tentar resolver os sintomas sozinha, através de dietas, suplementos ou informações online.
  • A alimentação e a diversidade de microrganismos do intestino aparecem como chave de prevenção, com recomendações para mais vegetais, fibra e prática gradual de mudanças alimentares.

Quase 45% da população portuguesa entre 18 e 65 anos relata desconforto intestinal persistente, segundo um estudo apresentado numa conferência promovida pela Médis, no âmbito do Projeto SAÚDES. O trabalho aponta para quase três milhões de pessoas afetadas, com impactos no dia a dia e na qualidade de vida, e evidencia falhas no diagnóstico e na literacia em saúde.

Apesar da dimensão do problema, muitos casos continuam sem diagnóstico. A normalização de cólicas, obstipação e inchaço dificulta a procura de apoio médico e atrasos no encaminhamento clínico são comuns. O estudo foi coordenado pela Return on Ideas e reuniu especialistas e decisores para debater a situação.

Dimensão e impacto

A psicologia, a economia e a saúde pública são áreas afetadas. Os especialistas destacam que a imprevisibilidade dos sintomas leva a limitações na vida social e profissional, gerando ansiedade e frustração. A dificuldade de cruzar várias especialidades aumenta o risco de diagnósticos tardios.

Do lado clínico, a literacia em saúde continua baixa, com mitos e soluções rápidas a proliferarem quando a informação parece acessível. Um quarto dos portugueses tenta resolver os sintomas por conta própria, recorrendo a dietas ou suplementos sem acompanhamento médico.

Consequências da informação e do tratamento

Especialistas enfatizam que não existe uma solução única para todos os casos e alertam para o perigo de abordagens generalistas. A comunicação nas redes sociais tem um papel importante, mas exige encaminhamentos credíveis e acompanhamento profissional para evitar desfechos adversos.

Alimentação como eixo preventivo

A alimentação aparece como fator central na prevenção e na manutenção da saúde intestinal. A microbiota, composta por microrganismos do intestino, influencia digestão, imunidade e o equilíbrio geral do organismo. A prática alimentar atual, no entanto, não acompanha a evidência, com a maioria da população distante da dieta mediterrânica.

Medidas simples, como aumentar a diversidade de alimentos vegetais, incluir legumes, leguminosas e fibras, e dedicar mais tempo à cozinha, são referidas como caminhos práticos para melhorar o estado intestinal.

Aliados da ação

O estudo integra o Projeto SAÚDES, uma iniciativa da Médis que visa melhorar a literacia em saúde por meio de estudos, debates e conteúdos acessíveis. O objetivo é ligar investigação, prática clínica e sociedade, reduzindo o silêncio em torno do tema.

No encerramento, os especialistas reforçam a necessidade de transformar conhecimento em cuidado, com menos sofrimento e diagnóstico mais precoce. A divulgação ampla de resultados pretende promover ações mais concretas.

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