A hora de verão chegou neste domingo na Europa, adianta-se uma hora e muitos acordam com menos sono. O objetivo é poupar energia, mas especialistas alertam para perturbações nos ritmos circadianos e impactos na saúde.
Este 29 de março os relógios avançam uma hora, o que provoca menos sono para a maioria e tardes mais longas nos dias seguintes. O fenómeno ocorre duas vezes por ano, sem consenso para terminar.
A prática remonta à Primeira Guerra Mundial, quando foi criada para poupar energia, e manteve-se na maioria dos países durante as décadas seguintes. Hoje, estudos destacam efeitos na saúde.
Efeito no organismo
Mesmo uma hora pode perturbar o relógio interno, responsável pelo sono, alerta, hormonas e humor. A adaptação varia entre indivíduos, com alguns a demorar semanas ou meses a acertar o relógio biológico.
A genética determina o ritmo circadiano de cada pessoa, e ainda não se entende por completo por que alguns respondem melhor que outros. A primavera costuma trazer maior atenção aos efeitos.
Além do sono, a mudança está associada a picos de acidentes rodoviários, infartos e episódios depressivos, indicam várias revisões científicas, com origem em estudos internacionais.
Luz e sono
A passagem para mais luz pela tarde pode agradar, mas expõe o organismo à claridade até tarde. A luz reduz a produção de melatonina, o que atrasa o sono e dificulta adormecer.
A melatonina aumenta com o escuro e cessa com a luz. Recomenda-se escurecer o quarto antes de dormir para sinalizar o fim do dia e melhorar a qualidade do sono.
Ritmos circadianos e saúde
Ritmos fortes ajudam a manter horários estáveis de sono e atividade, mesmo com mudanças sazonais. Perturbações repetidas associam-se a obesidade, doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e hipertensão.
Recentemente, investigações apontaram ligações entre ritmos circadianos fracos e maior risco de demência, reforçando a importância de manter o relógio interno alinhado.
O futuro da hora
Há décadas que se discute eliminar as mudanças sazonais. Em 2018 a Comissão Europeia sugeriu terminar com a prática, mas não houve acordo entre Estados-Membros.
Caso a mudança de hora fosse abolida, manter a hora padrão de inverno seria defendido por muitos cientistas, para favorecer a exposição matinal à luz natural e reduzir dependência de iluminação artificial.
Considerações finais
Se a mudança de hora for mantida, a orientação é ajustar horários de sono com antecedência e reduzir exposições à luz intensa perto da hora de dormir. A adaptação varia entre pessoas, sem uma regra única.
Entre na conversa da comunidade