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Mudança da hora na primavera: mais luz, menos sono e impactos na saúde

A mudança da hora na primavera perturba o ritmo circadiano, prolongando a dificuldade de adormecer e potenciando efeitos na saúde e na segurança

ARQUIVO: Walter Rodriguez, funcionário da Electric Time Co., limpa o mostrador de um relógio Wegman de 84 polegadas
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  • Este domingo, 29 de março, os relógios adiantam uma hora, iniciando a primavera e alongando as tardes.
  • Especialistas alertam que mesmo uma diferença de uma hora pode perturbar os ritmos circadianos, afetando sono, alerta, hormonas e humor.
  • A mudança pode aumentar pontualmente o risco de acidentes de viação, enfartes e episódios depressivos.
  • A exposição à luz até tarde impede o corpo de entender que é hora de dormir, já que a luz suprime a melatonina.
  • Há debate sobre acabar com as mudanças de hora na Europa; muitos defendem manter a hora padrão (inverno) para não privar a luz da manhã.

A hora de verão chegou neste domingo na Europa, adianta-se uma hora e muitos acordam com menos sono. O objetivo é poupar energia, mas especialistas alertam para perturbações nos ritmos circadianos e impactos na saúde.

Este 29 de março os relógios avançam uma hora, o que provoca menos sono para a maioria e tardes mais longas nos dias seguintes. O fenómeno ocorre duas vezes por ano, sem consenso para terminar.

A prática remonta à Primeira Guerra Mundial, quando foi criada para poupar energia, e manteve-se na maioria dos países durante as décadas seguintes. Hoje, estudos destacam efeitos na saúde.

Efeito no organismo

Mesmo uma hora pode perturbar o relógio interno, responsável pelo sono, alerta, hormonas e humor. A adaptação varia entre indivíduos, com alguns a demorar semanas ou meses a acertar o relógio biológico.

A genética determina o ritmo circadiano de cada pessoa, e ainda não se entende por completo por que alguns respondem melhor que outros. A primavera costuma trazer maior atenção aos efeitos.

Além do sono, a mudança está associada a picos de acidentes rodoviários, infartos e episódios depressivos, indicam várias revisões científicas, com origem em estudos internacionais.

Luz e sono

A passagem para mais luz pela tarde pode agradar, mas expõe o organismo à claridade até tarde. A luz reduz a produção de melatonina, o que atrasa o sono e dificulta adormecer.

A melatonina aumenta com o escuro e cessa com a luz. Recomenda-se escurecer o quarto antes de dormir para sinalizar o fim do dia e melhorar a qualidade do sono.

Ritmos circadianos e saúde

Ritmos fortes ajudam a manter horários estáveis de sono e atividade, mesmo com mudanças sazonais. Perturbações repetidas associam-se a obesidade, doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e hipertensão.

Recentemente, investigações apontaram ligações entre ritmos circadianos fracos e maior risco de demência, reforçando a importância de manter o relógio interno alinhado.

O futuro da hora

Há décadas que se discute eliminar as mudanças sazonais. Em 2018 a Comissão Europeia sugeriu terminar com a prática, mas não houve acordo entre Estados-Membros.

Caso a mudança de hora fosse abolida, manter a hora padrão de inverno seria defendido por muitos cientistas, para favorecer a exposição matinal à luz natural e reduzir dependência de iluminação artificial.

Considerações finais

Se a mudança de hora for mantida, a orientação é ajustar horários de sono com antecedência e reduzir exposições à luz intensa perto da hora de dormir. A adaptação varia entre pessoas, sem uma regra única.

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