- A Sociedade Portuguesa de Pneumologia pediu rastreios à tuberculose a migrantes de países com alta incidência, logo à chegada a Portugal.
- A posição surge após a Direção-Geral da Saúde ter revelado que quase quarenta por cento dos 1.584 casos em 2024 ocorreram neste grupo.
- A SPP defende articulação com embaixadas e centros de apoio aos migrantes, bem como medidas socioeconómicas para melhorar condições de vida e reduzir a sobrelotação.
- Defendem a identificação precoce, especialmente em populações de risco, e a sensibilização para sintomas como tosse persistente, expetoração, febre, suores noturnos e perda de peso.
- Em 2024, o total de tuberculose em Portugal foi o mais baixo de sempre, mas a doença continua a afetar cerca de 10,7 milhões de pessoas no mundo.
A Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) defende a realização de rastreios à tuberculose junto de migrantes provenientes de países com alta incidência, logo à chegada a Portugal. A proposta surge a partir do relatório da Direção-Geral da Saúde (DGS), que indica que quase 40% dos 1584 casos registados em 2024 pertencem a esta população.
As especialistas Joana Barbosa e Carina Rôlo Silvestre defendem ainda uma coordenação com embaixadas e centros de apoio aos migrantes, bem como medidas socioeconómicas para melhorar as condições de vida. Entre as ações apontadas estão a redução da sobrelotação habitacional, melhoria da ventilação em espaços fechados e combate à pobreza.
A identificação precoce da tuberculose é apresentada como crucial para proteção da comunidade, especialmente entre migrantes de países com elevada incidência, pessoas com VIH, sem-abrigo, dependências e outras doenças crónicas. Novos surtos são menos prováveis quando há detecção atempada e acesso rápido a cuidados.
Segundo a DGS, 2024 ficou marcado pelo menor número de casos de tuberculose já registado em Portugal, com 1584 ocorrências. Ainda assim, a SPP alerta que a tuberculose continua a ser uma das principais doenças infecciosas a nível global, afetando cerca de 10,7 milhões de pessoas.
Contexto
Os defensores de rastreios salientam a necessidade de uma rede de vigilância que inclua campanhas de sensibilização sobre sintomas como tosse persistente, expectoração, febre, suores noturnos e perda de peso. A abordagem integrada inclui comunicação com comunidades migrantes e medidas de apoio social.
Desdobramentos esperados
A proposta prevê colaboração com serviços de saúde, entidades públicas e organizações não governamentais para operacionalizar rastreios na chegada a Portugal. A discussão pública deve ainda considerar recursos logísticos e o equilíbrio entre direitos individuais e proteção coletiva.
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