- A greve dos enfermeiros neste sexta-feira teve adesão de 100% em vários serviços e hospitais às 10h45, incluindo Viseu Dão-Lafões (cirurgia de ambulatório, AVC encerrados) e unidades de Barreiro, Setúbal e Almada (blocos operatórios e de partos).
- O sector público de Saúde viu blocos operatórios, de parto e serviços mínimos interrompidos ou encerrados em várias unidades, com destaque para os hospitais de Barreiro, Setúbal, Garcia de Orta, Peniche e Rovisco Pais.
- A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, disse que o Governo está a trabalhar para responder a algumas reivindicações dos enfermeiros, reconhecendo que nem todas as exigências fazem parte do programa governamental, mas mantendo o diálogo.
- O SEP (Sindicato dos Enfermeiros Portugueses) reivindica, entre outros pontos, a contabilização de pontos, pagamento de retroativos, contratação de mais enfermeiros, abertura de concursos para categorias de enfermeiro especialista e melhor sistema de avaliação de desempenho.
- A ministra afirmou que o Governo não resolve tudo de um dia para o outro e que a greve, embora um direito, afeta os cidadãos; o SEP acusa o Ministério da Saúde de não cumprir promessas de levantamento de situações até ao final de Fevereiro e manter discriminação entre grupos profissionais.
A greve nacional de enfermagem ocorrida nesta sexta-feira registou adesão elevada em vários hospitais do país, levando ao encerramento de blocos operatórios e de partos. O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) informou que, às 10h45, algumas unidades tinham adesões de 100%, com impactos diretos em serviços essenciais.
A Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, afirmou que o Governo lamenta a greve, mantendo o diálogo e destacando progressos em matérias de valorização salarial e no acordo coletivo de trabalho. A titular da pasta sublinhou que há negociações em curso para resolver assuntos pendentes que existem há vários anos, alguns desde 2019.
A paralisação foi convocada pelo SEP para protestar contra o que considera atraso na tomada de decisões do Ministério da Saúde sobre progressão na carreira, salários e contabilização de pontos. Os protestos decorreram nos turnos da manhã e da tarde em diversas regiões, com interrupção de serviços considerados mínimos onde necessário.
A adesão por hospital e áreas afetadas
Na Unidade Local de Saúde de Viseu Dão-Lafões, a greve provocou o encerramento da cirurgia de ambulatório, de Viseu e de Tondela, e da unidade de AVC, mantendo-se apenas os serviços mínimos. O blocos de parto do Hospital do Barreiro e os blocos operatórios dos hospitais de Setúbal e Garcia de Orta, em Almada, registaram adesões de 100%. Em Peniche e Rovisco Pais, na Tocha, Cantanhede, também houve paralisação total dos enfermeiros no turno da manhã.
Em outros hospitais, a adesão manteve-se elevada: Abrantes (92 de 103, 89%), Tomar (76%), Lisboa (Dona Estefânia e São José, 90,83% cada). Lagos (83,33%), Fundão (81,82%), Covilhã (68%), Castelo Branco (60,84%) e Faro (63%). Alcobaça registou 48%, enquanto Aveiro e Águeda juntas chegaram a 50,23%.
Contexto e reivindicações em curso
O SEP aponta que o Ministério da Saúde se comprometeu a levantar todas as situações resultantes da contabilização dos pontos até ao final de Fevereiro, mas o sindicato considera haver discriminação entre enfermeiros e outros grupos profissionais. Entre as reivindicações estão a resolução de questões de contabilização de pontos, pagamento de retroativos, admissão de mais profissionais e a melhoria das perspetivas de carreira, incluindo a transição para enfermeiro especialista para titulados desde 2019.
Os enfermeiros também exigem abertura de concursos para categorias de enfermeiro especialista, enfermeiro gestor e posições de direção, bem como a negociação de um sistema de avaliação de desempenho alinhado às especificidades da prática de enfermagem, sem quotas. O Governo assegura ter abertura ao diálogo, reconhecendo que algumas exigências não integram o programa governamental, mas mantendo o compromisso de encontrar soluções.
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