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Especialistas questionam reconstituições com IA na televisão

Especialistas alertam para limites éticos e necessidade de transparência na reconstituição de crimes com IA, segundo regulamento da União Europeia

Renato Seabra
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  • A CMTV vai emitir, na próxima terça-feira, 5 de maio, uma reconstituição com IA dos últimos dias de vida do cronista Carlos Castro, no âmbito do caso de Renato Seabra em Nova Iorque.
  • A reconstituição baseia-se em milhares de documentos consultados pela estação e integra imagens e depoimentos do caso.
  • Especialistas, incluindo o cientista Carlos Fiolhais, alertam para os limites éticos e legais da IA no jornalismo e defendem transparência para evitar confundir ficção com realidade.
  • A União Europeia aprovou, em 2024, um regulamento que exige rotulagem clara de imagens geradas artificialmente quando há risco de deepfakes.
  • Questões de proteção de dados e consentimento são discutidas, com o jornalismo a defender o interesse público, reconhecendo zonas cinzentas, e destacando ainda que 167 imagens de câmara mostram o romance entre Seabra e Castro.

A CMTV vai apresentar uma reconstituição com recurso à Inteligência Artificial (IA) para ilustrar os últimos dias de vida do cronista Carlos Castro, morto pelo antigo jogador Renato Seabra num hotel em Nova Iorque. A peça insere-se num especial sobre o caso, cuja emissão está marcada para terça-feira, 5 de maio. A produção baseia-se em milhares de documentos já recolhidos pela estação.

Especialistas questionam os limites do uso de IA no jornalismo de investigação, sobretudo na recriação de cenas que antecedem um crime. O cientista Carlos Fiolhais lembra que a tecnologia permite criar situações verossímeis com imagens e vozes de pessoas reais, vivas ou falecidas, o que exige prudência. A UE aprovou em 2024 regras voltadas à transparência e à limitação de usos de IA de elevado risco.

De acordo com Fiolhais, as imagens artificiais devem ser claramente rotuladas para evitar confundir ficção com realidade, especialmente quando a reprodução se aproxima daquilo que é factual. O objetivo é impedir a propagação de deepfakes que possam induzir o público a interpretar como verdade o conteúdo criado pela IA.

Limites éticos e proteção de dados

A discussão estende-se à proteção de dados, já que o uso de imagens de pessoas sem consentimento pode gerar responsabilidades legais. Os especialistas destacam que quem participa ou representa alguém pode sofrer prejuízos decorrentes da manipulação do comportamento observado.

Apesar das cautelas, o jornalismo pode invocar interesse público e liberdade de imprensa, reconhecem os especialistas. Ainda assim, há casos que caem numa zona cinzenta entre curiosidade jornalística e eventual dano reputacional.

Imagens já disponíveis indicam o nível de detalhe que pode emergir na reconstituição. Editores adianta que 167 imagens obtidas por fotogrametria ajudam a documentar a relação entre Renato Seabra e Carlos Castro, utilizada como referência na narrativa audiovisual prevista.

A reconstituição da CMTV é apresentada como ferramenta para o entendimento público do caso, desde que cumpridas as normas de transparência, consentimento e conformidade com a legislação europeia. O objetivo é informar com rigor, sem distorcer factos nem substituir o escrutínio técnico por espectáculo.

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