- Estudo publicado na The Lancet Psychiatry analisou o uso de agonistas do recetor GLP-1 (semaglutida, liraglutida) em 95.490 suecos com depressão e ansiedade ao longo de 14 anos.
- A semaglutida esteve associada a menor risco de agravamento de doenças mentais, incluindo depressão, ansiedade e perturbações relacionadas com substâncias; a redução foi de quarenta e dois por cento.
- A liraglutida também mostrou redução, de dezoito por cento, mas a exenatida e a dulaglutida não apresentaram a mesma associação.
- O estudo é observacional e não estabelece causalidade; os resultados podem ser generalizáveis apenas para sistemas de saúde semelhantes ao da Suécia, com acesso gratuito no ponto de atendimento.
- Os investigadores alertam para o custo dos agonistas como possível barreira de acesso, especialmente em sistemas de saúde privados, e sugerem que os resultados podem fundamentar ensaios clínicos randomizados futuros.
O estudo avaliou a relação entre o uso de agonistas do recetor GLP-1 e o agravamento de doenças mentais em adultos com depressão e ansiedade na Suécia. A análise baseou-se em dados nacionais ao longo de 14 anos. Os resultados indicam que alguns antidiabéticos podem estar associados a menor risco de piora psiquiátrica.
A investigação, publicada na revista The Lancet Psychiatry, envolveu 95 490 pessoas, com idade média de 50,6 anos. A majority era formada por mulheres (59,7%). Entre os participantes, 81,5% tinham transtorno de ansiedade, 54,9% depressão e 36,4% apresentavam ambos os quadros.
Em termos de fármacos, semaglutida esteve associada a menor risco de agravamento mental, seguido pela liraglutida, em menor grau. Exenatida e dulaglutida não mostraram a mesma associação. O estudo mediu o agravamento como internamento por doença mental, automutilação, licença médica psiquiátrica ou suicídio.
Os autores reportam que a semaglutida reduziu o risco de agravamento da saúde mental em 42%, e a liraglutida em 18%. Os resultados são observacionais, não permitindo estabelecer causalidade entre tratamento e desfecho.
Resultados e limitações
A equipa ressalva que os achados podem ser generalizáveis apenas a sistemas de saúde semelhantes ao da Suécia, com acesso gratuito. O custo dos agonistas pode limitar o uso em sistemas privados e para quem mais poderia beneficiar.
Os investigadores destacam ainda que o período estudado incluiu a pandemia de covid-19, o que pode ter influenciado os resultados. Dados nacionais na Suécia indicaram menor taxa de suicídio durante esse período, sem grandes alterações no uso de antidepressivos.
Apesar disso, os autores apontam consistência com investigações anteriores, que não encontraram aumento do risco de depressão ou comportamentos suicidas associados aos agonistas GLP-1. Algumas evidências sugerem ainda redução no consumo de álcool e substâncias.
Do ponto de vista clínico e económico, a redução de licenças médicas por problemas de saúde mental pode trazer impactos relevantes para empregadores e para os sistemas de saúde, segundo os autores. A pesquisa abre caminho para ensaios clínicos randomizados futuros.
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