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Quem procura médico de família privado já tem especialista no SNS

Estudo revela que 70% dos adultos que vão ao médico de família no privado já têm clínico no SNS; o seguro de saúde impulsiona a consulta privada

Foto: Artur Machado
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  • Em 2025, 14,1% dos adultos recorreram ao médico de família no privado, e cerca de 70% desses já tinham médico de família atribuído pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS).
  • O principal motivo para recorrer ao privado não é a ausência de médico de família no SNS, mas a cobertura por seguro de saúde privado ou por dupla cobertura.
  • Apenas 4,2% da população total utiliza o privado por não ter médico de família no SNS; cerca de 10% tem dupla cobertura.
  • Ter seguro de saúde aumenta a probabilidade de recorrer ao privado em cerca de 39 pontos percentuais, com variações entre subsistemas (ADSE, ADM e outros).
  • As regiões com maior recurso ao privado são o Algarve (19,3%) e a Grande Lisboa (16,8%), seguidas da Grande Porto (13,6%) e Norte Litoral (11,5%); mesmo em áreas com alta cobertura pública, há níveis relevantes de dupla utilização.

A maioria dos adultos que recorreu ao médico de família no setor privado em 2025 já tinha clínico atribuído no SNS. O estudo divulgado hoje revela que o principal motivo é a existência de seguro de saúde ou de outra cobertura complementar, não a ausência de médico no SNS. A análise é da Nova SBE.

Segundo os investigadores Carolina Santos e Pedro Pita Barros, 14,1% dos adultos recorreram em 2025 ao médico de família no privado, e cerca de 70% já tinham médico de família atribuído pelo SNS. O trabalho aponta que a dupla cobertura condiciona fortemente a escolha pelo setor privado.

Motivos e impacto da dupla cobertura

A pesquisa identifica que o fator dominante não é a falta de médico de família no SNS, mas a presença de seguro de saúde. Apenas 4,2% da população recorre ao privado por não ter médico no SNS, e 10% tem dupla cobertura.

Ter seguro de saúde aumenta em cerca de 39 pontos percentuais a probabilidade de recorrer ao privado, com variações por subsistema: 24,5 p.p. no conjunto dos subsistemas privados, 15,2 p.p. na ADSE e 10,8 p.p. na ADM.

Por outro lado, não ter médico no SNS eleva a probabilidade em apenas 6,3 p.p., um impacto bem menor que o associado ao seguro privado.

A perda de acesso ao médico de família no SNS traduz-se num aumento moderado da procura pelo privado: 13,4% passam a recorrer ao privado, saltando para 18,7% caso o acesso seja perdido.

Disparidades por região e perfil social

As maiores taxas de recurso ao privado situam-se no Algarve (19,3%) e na Grande Lisboa (16,8%), seguidas pelo Grande Porto (13,6%) e pelo Norte Litoral (11,5%). Regiões com alta cobertura pública, como Norte Litoral (94,6%) e Grande Porto (93,1%), também apresentam níveis significativos de dupla utilização (10,9% e 12,6%).

A probabilidade de adquirir seguro privado aumenta com o estatuto socioeconómico. O estudo sublinha que o seguro privado é sensível a condições económicas, mesmo quando se considera educação, profissão e região.

O autorrelato de saúde tem impacto limitado na decisão de recorrer ao privado, sugerindo que a decisão está mais ligada a cobertura financeira do que a necessidade clínica imediata.

Conclusões dos autores e contexto

Os investigadores concluem que o crescimento dos seguros privados amplifica o uso do médico de família no setor privado, sem depender exclusivamente da falta de médicos no SNS. O estudo destaca a necessidade de entender hábitos e motivações para políticas de saúde.

A análise utiliza dados do Inquérito de Base ao Relatório de Acesso aos Cuidados de Saúde (2023 e 2025), enquadrada na Iniciativa para a Equidade Social, com apoio de Fundação la Caixa, BPI e Nova SBE.

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