Untenção: utentes do Hospital de Vila Franca de Xira vão concentrar-se este sábado perante a unidade para contestar o encerramento das urgências de obstetrícia e ginecologia, uma medida que, dizem, pode prejudicar cerca de 250 mil pessoas na região. O protesto começa às 11:00 e é promovido pelo Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP), pelas comissões de utentes do Estuário do Tejo e pela Plataforma Lisboa em Defesa do SNS.
A mudança implica encaminhar os casos de obstetrícia e ginecologia para o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, afetando também os municípios de Azambuja, Arruda dos Vinhos, Alenquer e Benavente. O HVFX passa, assim, a perder estas urgências, com impactos no acesso a cuidados de proximidade.
Nélia Ferreira, do MUSP, adiantou à Lusa que a concentração pretende chamar a atenção para o risco de aumentar distâncias nas urgências, sobretudo para quem vem de locais mais afastados. A dirigente destacou situações que podem exigir resposta rápida e sublinhou o desafio de deslocações de distância elevada.
A representante do MUSP teme que o encerramento das urgências de obstetrícia e ginecologia possa sinalizar a perda de outros serviços no HVFX, reduzindo a oferta de cuidados de proximidade para a população. O alerta é de que a transformação pode acelerar o esvaziamento do hospital.
Contexto do funcionamento regional
A Direção Executiva do SNS confirmou que a urgência regional de obstetrícia e ginecologia do Hospital Beatriz Ângelo abrirá às 09:00 na próxima segunda-feira, para receber casos urgentes do HVFX. O modelo será avaliado semestralmente.
A criação de urgências regionais decorre da falta de profissionais e prevê outra unidade na Península de Setúbal, no Hospital Garcia de Orta, em Almada, o que deverá conduzir ao encerramento da urgência no Barreiro.
Repercussões locais
A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira informou que os presidentes dos municípios servidos pelo HVFX vão reunir-se com a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, na segunda-feira, para discutir a medida. O HVFX foi inaugurado em 2013 para atender cerca de 250 mil habitantes e, até 2021, operou em parceria público-privada com o Grupo Mello Saúde, passando depois para o regime de entidade pública empresarial.
Fontes: MusP; agências de notícias.
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