- O The New York Times confirmou relatos de violência física e humilhações contra dezenas de ex-funcionários do Noma, restaurante de Copenhaga do chef René Redzepi.
- Entre 2009 e 2017, os relatos incluem murros, empurrões, ataques com instrumentos de cozinha e abusos psicológicos, além de ameaças de prejudicar carreiras e familiares.
- Em fevereiro de 2014, ocorreu uma punição pública de um sous-chef, envolvendo violência física e imposição de castigo coletivo, segundo testemunhas.
- O Noma encerrou as atividades em 2023, preparando um pop-up em Los Angeles cujo custo de cada refeição é de 1.500 dólares.
- Redzepi divulgou uma desculpa pública, afastou-se do serviço diário e afirmou estar em terapia para controlar a fúria; o restaurante publicou que implementou mudanças culturais e um programa de estágios pagos, recebendo críticas.
O Noma, restaurante de Copenhaga símbolos das finanças e da criatividade gastronómica, enfrenta uma denúncia de violência física e psicológica que envolve o seu fundador, René Redzepi. A investigação ganhou fôlego com um artigo do The New York Times que consolidou relatos de dezenas de ex-funcionários, incluindo estagiários, entre 2009 e 2017.
Segundo o NYT, Redzepi recorria a gritos, agressões físicas e humilhações coletivas durante o serviço. Em fevereiro de 2014, durante o serviço, o chef levou toda a equipa para o exterior para assistir ao castigo público de um sous-chef. O condenado foi agredido e a equipa permaneceu em silêncio após o episódio.
A narrativa publicada reúne depoimentos de mais de 30 antigas colaboradoras e colaboradores, que descrevem um ambiente de medo e consequências de longo prazo. Muitos relataram aceitar as condições pela oportunidade de estagiar no Noma, que já foi considerado o melhor do mundo e detém três estrelas Michelin.
Resposta do Noma e mudanças
O restaurante e Redzepi responderam publicamente, com um pedido de desculpas em que reconhecem que ações passadas foram prejudiciais, mesmo sem assumir todos os pormenores. Redzepi afastou-se do serviço diário e iniciou terapia para gerir a fúria. Em 2015, o chef reconhecia em público ter enfrentado uma cultura de violência no início da carreira.
Entretanto, relatos de abuso continuam a aparecer. Um ex-estagiário australiano afirmou que punições eram aplicadas de forma coletiva, com uso de instrumentos de cozinha em alguns episódios. A cultura de abuso é descrita como parte de uma geração de chefs que marcaram o Noma durante anos.
Em 2023, o Noma encerrou as operações em Copenhaga e anunciou um pop-up em Los Angeles, com refeições a 1500 dólares. O episódio de 2023 intensificou o escrutínio sobre as práticas do restaurante e levou a mudanças anunciadas pela direção para transformar a cultura de trabalho.
Mudanças e controvérsia
A página Noma-abuse.com e intervenções públicas contribuíram para compilar relatos detalhados. O Noma afirmou ter implementado mudanças significativas, incluindo um programa de estágios pagos, maior tempo de descanso e iniciativas de liderança. As respostas nas redes sociais foram majoritariamente críticas, com pedidos de um reconhecimento mais direto.
René Redzepi permanece no centro das atenções enquanto o caso se desdobra entre relatos, investigações e respostas públicas. A situação continua a ser acompanhada por quem analisa o impacto de práticas abusivas na indústria da restauração.
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