- A Zero defende substituir o gás natural na estabilização do sistema eléctrico português pela chamada “flexibilidade limpa”, capaz de usar fontes de baixo ou nulo carbono.
- Um estudo da campanha Beyond Fossil Fuels, no âmbito da Zero, indica que já existem soluções economicamente viáveis (armazenamento de energia, gestão da procura, redes inteligentes e interligações) que podem poupar até 300 mil milhões de euros por ano ao sistema europeu.
- Em Portugal, onde as renováveis garantiram perto de oitenta por cento da electricidade no início de 2026, é essencial instalar armazéns junto de centrais solares e eólicas; o Plano Nacional de Energia e Clima 2030 fixa metas de dois gigawatts de baterias, para além dos 3,6 gigawatts de bombeamento hídrico existentes.
- A Zero sublinha ainda a necessidade de diversificar para lá do armazenamento hídrico e de recorrer ao armazenamento distribuído em comunidades de energia e plataformas logísticas, para reduzir congestões e custos.
- A adopção da flexibilidade limpa deve ser uma prioridade estratégica nacional, alinhada com as diretivas da União Europeia, com uma avaliação e um plano de necessidades de flexibilidade a apresentar até ao verão de 2026.
A associação ambiental Zero defende substituir o gás natural na estabilização do sistema eléctrico de Portugal, recorrendo à chamada flexibilidade limpa. A posição foi apresentada este domingo em comunicado da organização.
Recorda o apagão que levou ao aumento do gás nas centrais para garantir estabilidade e cita um estudo europeu que mostra ser possível ter um sistema fiável, totalmente renovável e sem gás fóssil.
A flexibilidade limpa consiste em ajustar rapidamente produção e consumo usando fontes de baixo carbono, em vez de depender de centrais a gás.
Flexibilidade limpa
O estudo Flexibilidade limpa: oportunidades para a Europa, da campanha Beyond Fossil Fuels, indica soluções economicamente viáveis como armazenamento, gestão activa da procura, redes inteligentes e interligações transfronteiriças, que podem poupar até 300 mil milhões de euros por ano.
Em Portugal, fontes renováveis já asseguram cerca de 80% da electricidade no início de 2026, tornando essencial instalar armazenamento junto a centrais solares e eólicas para absorver excedentes e libertá-los nos picos de procura.
O Plano Nacional de Energia e Clima 2030 define 2 GW de armazenamento em baterias, mas a Zero alerta para diversificar para lá dos 3,6 GW de bombeamento hídrico, dada a incerteza com períodos de seca.
Autonomia e custos
A adoção da flexibilidade limpa pode conduzir a facturas mais baixas para famílias e empresas, menos investimento em infraestruturas e melhor aproveitamento da energia renovável produzida.
A associação recorda ainda que, no âmbito da reforma do mercado eléctrico europeu, a UE exige maior flexibilidade para acolher o crescimento de fontes renováveis variáveis.
Portugal pode candidatar-se a liderar esta mudança, assegurando estabilidade eléctrica e menor custo de sistema, reforçando a competitividade económica e a autonomia energética.
Sob as orientações da UE, o país deve apresentar até Verão de 2026 uma avaliação e um plano nacional de necessidades de flexibilidade, abrindo caminho para políticas de apoio a soluções limpas e resilientes.
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