- Estudo da Nova Medical School da Universidade Nova de Lisboa acompanhou 34 pessoas com COVID longa e 26 infetadas sem sintomas, recrutadas na USF Cuidar Saúde, Seixal.
- As mulheres apresentaram carga de sintomas mais elevada do que os homens, destacando fadiga persistente, dificuldades de concentração e memória.
- As mulheres tiveram também mais doenças associadas, sobretudo ligadas ao metabolismo, ao sistema neurológico e à circulação.
- Os homens apresentaram níveis mais altos de inflamação generalizada.
- A equipa conclui que estas diferenças ajudam a perceber os mecanismos da doença e a desenvolver abordagens adaptadas; mais de metade dos participantes referiu dificuldades no dia a dia e no trabalho; a Organização Mundial da Saúde estima 65 milhões de pessoas com COVID longa no mundo.
As mulheres com COVID longa apresentam uma carga de sintomas mais elevada e mais doenças associadas do que os homens, de acordo com um estudo da Nova Medical School, divulgado esta terça-feira. O trabalho acompanhou 34 pessoas com sintomas persistentes entre 9 meses e 5 anos após infeção, e 26 indivíduos infetados sem sintomas. As observações foram recolhidas na USF Cuidar Saúde, no Seixal.
Os resultados indicam que a fadiga persistente, dificuldades de concentração e problemas de memória são mais frequentes entre as mulheres. A gravidade dos sintomas tende a agravar-se com a idade e com a duração da doença. Além disso, as mulheres apresentam mais doenças associadas, sobretudo relacionadas com metabolismo, sistema neurológico e circulação.
Os homens, por contraste, registam maior inflamação generalizada. A equipa liderada por Helena Soares ressalva que as diferenças entre os sexos ajudam a compreender os mecanismos da COVID longa e podem orientar abordagens mais ajustadas ao perfil de cada doente. Mais de metade dos participantes relatou dificuldades nas atividades diárias e no trabalho.
Diferenças entre mulheres e homens
A investigação destaca que as alterações imunitárias em mulheres poderão sustentar a persistência dos sintomas. O estudo compara ainda o impacto de estas alterações em função da idade, da duração da infeção e de comorbidades específicas. Os investigadores sublinham a necessidade de novas estratégias terapêuticas.
As conclusões reforçam a importância de uma perspetiva de género no estudo da COVID longa. A Organização Mundial da Saúde estima que 65 milhões de pessoas em todo o mundo tenham a condição. O artigo é útil para orientar futuras linhas de investigação e vigilância clínica.
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