- Investigadores da Universidade de Granada desenvolveram implantes de córnea a partir de escamas de peixe, numa tentativa de reduzir a dependência de dadores.
- O biomaterial é biocompatível, resistente e transparente, obtido a partir de escamas de carpa e outros peixes de consumo comum.
- A pesquisa, publicada na revista Materials & Design, assenta na transformação de resíduos de pesca em matéria-prima para implantes médicos.
- Os testes em laboratório e em animais mostraram resultados promissores; ainda é necessário concluir ensaios clínicos em humanos para chegar à prática clínica.
- O projeto foi financiado pelo Instituto de Saúde Carlos III (ministério da Ciência, Inovação e Universidades) e pode ter impacto económico na região, ao valorizar um subproduto da pesca.
Investigadores da Universidade de Granada desenvolveram implantes de córnea a partir de escamas de peixe, numa abordagem com o intuito de reduzir a dependência de doações. O estudo, publicado na revista Materials & Design, resulta de investigação do Departamento de Histologia da Faculdade de Medicina em Granada.
As escamas, normalmente descartadas na indústria pesqueira, foram convertidas num biomaterial biocompatível, resistente e transparente. Testes laboratoriais e em modelos animais indicam funcionamento biológico e estrutural adequado para reparação da córnea, segundo os autores.
A pesquisa destaca que o material é barato e de fácil obtenção, o que pode beneficiar zonas com restrições à oferta de tecidos. A equipa ressalta que o recurso a subproduto pesqueiro pode dinamizar o setor local da pesca.
Financiamento e contexto clínico
A investigação contou com apoio do Instituto de Saúde Carlos III, através do projeto PI23/00335. O diretor do Hospital Clínico San Cecilio de Granada, Manuel Reyes, acompanhou a apresentação dos resultados, evidenciando o interesse clínico na linha de investigação.
Os resultados atuais são preliminares. Embora o material tenha demonstrado viabilidade em ambientes controlados e em animais, é necessário conduzir ensaios clínicos em humanos e cumprir regulamentação rigorosa. A continuidade do projeto depende dessas etapas.
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