- O ex-presidente Evo Morales está escondido no Chapare, Cochabamba, com mandado de captura e acompanhado por seguidores à guarda.
- O governo de Rodrigo Paz ameaça detê-lo, enquanto bloqueios de estradas provocam falta de alimentos, combustível e medicamentos há semanas.
- Morales sustenta que não se vai render e classifica os conflitos como uma sublevação contra o modelo neoliberal e o Estado colonial.
- O estado de emergência foi decretado pelo governo, com possibilidade de intervenção do Exército; Morales avisa que, se entrarem no Chapare, camponeses vão resistir.
- Sobre o processo por alegado tráfico de menores, Morales diz tratar-se de uma acusaçao inventada e acusa a manobra de buscar associá-lo à corrupção.
O ex-presidente da Bolívia Evo Morales continua refugiado no Chapare, depois de receber um mandado de captura. A área rural de Lauca Eñe, numa zona de Cochabamba, é o seu esconderijo há semanas, rodeado por membros da sua corrente de apoio. O governo de Rodrigo Paz avança com medidas para deter o ex-chefe de Estado.
A tensão política intensificou-se numa crise que perdura há várias semanas, com bloqueios de estradas que deixaram cidades sem abastecimento, e protestos de sindicatos e comunidades indígenas contra as políticas do governo centro-direita. Morales acusa o governo de neoliberalismo e de violar direitos, mantendo a credibilidade entre os seus apoiantes.
Durante entrevistas, Morales rejeitou a ideia de se render, afirmando que não negocia o que considera sobrevivência e criticando o que chama de sublevação contra o modelo. O governante Paz decretou estado de emergência, buscando colocar as forças de segurança na rua para conter os protestos.
O cenário é marcado pela incerteza sobre o que ocorrerá caso as autoridades avancem para o Chapare. Morales diz que não há justificações para uma intervenção militar, mas avisa que os camponeses estão organizados para resistir, sem visar confrontos com perdas humanas.
A situação económica é o principal motor de descontentamento, com perspetivas de continuação do impasse se não houver recuperação da atividade econômica. Morales aponta a ausência de soluções estruturais como a raiz do conflito e defende que não devem privatizar serviços essenciais.
Entre as denúncias, Morales sustenta que o processo no seu againsté circula como acusações sem fundamentação, descrevendo-as como tentativas de rotulá-lo de forma desonesta. Refere que não há provas de crimes e mantém a posição de inocência face às acusações.
O debate público continua com previsões de mobilização de vários setores, caso a crise se estenda. Morales mantém o foco nas reivindicações por serviços estratégicos, como energia, água e recursos naturais, sem aceitar soluções que, segundo ele, prejudiquem a população.
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