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Revisão em debate: para quê e para quem?

PSD e Chega avançam com revisão constitucional de metas opostas, levantando dúvidas sobre legitimidade, consenso e o papel do Tribunal Constitucional

Megafone P3
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  • PSD e Chega discordam sobre o propósito da revisão constitucional, mas assinaram um requerimento conjunto para suspender o prazo de entrega de projectos até 30 de dezembro, com intenção de concluir o processo na próxima sessão legislativa.
  • Ao longo da história, revisões bem-sucedidas tiveram alcance limitado, responderam a necessidades objetivas e contaram com apoio de PS e PSD, exigindo dois terços para alterações ao status quo.
  • O debate atual vê o PSD defender propostas institucionais (mandato único de sete anos para o Presidente, redução de deputados, voto aos 16 anos, abertura do SNS ao privado) e o Chega defender medidas como prisão perpétua e perda de nacionalidade, já declaradas inconstitucionais pelo Tribunal Constitucional.
  • A admissibilidade da revisão suscitou dúvidas jurídicas, levando o presidente da Assembleia da República a solicitar uma apreciação técnica, com parte da doutrina a sustentar que remover os limites da revisão compromete a função de garantia de direitos da Constituição.
  • Os especialistas lembram que os problemas reais do país — habitação, envelhecimento, produtividade e serviços públicos — não dependem de uma revisão constitucional, que deve ser feita com prudência e necessidade, não por conveniência política.

A questão não é apenas como rever a Constituição, mas que problema se pretende resolver com a revisão. A discussão ganhou força com o recuo de prazos e uma frente comum entre PSD e Chega, em defesa de vias de alteração constitucional até ao fim da próxima sessão legislativa.

O PSD classifica o Chega como contestável pela forma, mantendo propostas institucionais como mandato presidencial de sete anos, redução de deputados e voto aos 16. Em contrapartida, o Chega defende medidas já consideradas inconstitucionais pelo Tribunal Constitucional, entre elas, penas severas e mecanismos de perda de nacionalidade.

A admissibilidade da iniciativa suscitou dúvidas jurídicas e levou o presidente da Assembleia a pedir uma apreciação técnica. Doutrina constitucional aponta que uma revisão que vise remover limites à própria revisão conflita com a função da Constituição como garantidora de direitos.

A linha de ataque contra o TC não é nova na Europa, mas o tema reacende o debate sobre o papel das instituições democráticas na defesa do Estado de direito. A estratégia de atribuir antidemocracia às instituições não é inédita, com exemplos em diversas áreas.

Constitucionalistas lembram que revisões bem-sucedidas ocorreram com alcance definido e consenso político, sobretudo entre PS e PSD, dado que mudanças exigem dois terços para alterar o status quo. A existência de acordo é, assim, condição essencial para qualquer alteração.

Os temas centrais do país permanecem outros: habitação, envelhecimento, produtividade e qualidade dos serviços públicos. Esses desafios são apresentados como não dependentes de uma revisão constitucional para serem enfrentados.

O debate atual, portanto, pede prudência: retornar à pergunta sobre qual problema específico a revisão resolve pode ajudar a clarificar se vale a pena avançar, adiantam especialistas. A ideia é discutir funcionalidade e necessidade antes de qualquer passo formal.

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