- Dois mortos em protestos contra o plano apoiado pelos EUA para instalar um centro de quarentena para o Ébola na Base Aérea de Laikipia, em Nanyuki, Quénia.
- O governo pretende criar uma unidade com cinquenta camas para alojar e vigiar temporariamente pessoas expostas ao vírus.
- O plano resulta de um acordo entre o Presidente do Quénia, William Ruto, e a administração dos Estados Unidos.
- A juíza do Tribunal Superior, Patricia Nyaundi, prorrogou a suspensão provisória que impede a construção da unidade pelo menos até ao dia 23 de junho e ordenou a divulgação dos acordos com os EUA.
- O Presidente Ruto assegurou que o acordo é para o bem do país e da parceria, enquanto continuam a chegar aviões militares norte‑americanos com pessoal para a base.
O Quénia registou dois mortos em protestos contra um plano apoiado pelos EUA para instalar um centro de quarentena para o Ébola no centro do país. As vítimas faziam parte de centenas de manifestantes junto à Base Aérea de Laikipia, em Nanyuki, onde o governo planeia erguer uma unidade de quarentena com 50 camas para vigilância de pessoas expostas ao vírus.
Os manifestantes marcharam em direcção à base, bloquearam estradas e incendiaram pneus. A polícia respondeu com gás lacrimogéneo e disparos, resultando em ferimentos graves a dois homens que morreram depois do confronto.
O projecto decorre de um acordo entre o Presidente William Ruto e a Administração dos EUA. O governo pretende alojar cidadãos norte-americanos assintomáticos, missionários médicos e outros profissionais expostos à estirpe Bundibugyo do Ébola.
Contestação à unidade de quarentena
A proposta tem enfrentado forte resistência de moradores e de profissionais de saúde locais. Críticos afirmam que o Quénia não deve acolher pessoas potencialmente expostas ao vírus, temendo riscos para a saúde pública.
O processo já foi alvo de impugnação judicial. A juíza Patricia Nyaundi abriu uma suspensão provisória que impede a construção ou funcionamento da unidade até pelo menos 23 de junho, e ordenou a divulgação dos acordos com os EUA.
Apesar da decisão, há relatos de aviões militares norte-americanos a transportar pessoal e material para a base. O Presidente Ruto defende o projeto, afirmando que a unidade faz parte de um sistema nacional de preparação e serve tanto o Quénia como os parceiros, incluindo os EUA, sem politização.
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