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Hungria deve reformar para os seus cidadãos, não pela UE, diz comissário McGrath

Comissário McGrath afirma que as reformas na Hungria são do interesse dos cidadãos, não apenas para desbloquear os 10 mil milhões de euros da UE

Michael McGrath, comissário europeu para a Democracia, Justiça, Estado de direito e Defesa do Consumidor, durante uma entrevista em 28/05/2026.
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  • O comissário europeu Michael McGrath diz que as reformas na Hungria devem beneficiar os cidadãos, não apenas desbloquear fundos da UE.
  • Péter Magyar, primeiro-ministro, vai reunir-se com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para tentar desbloquear 10 mil milhões de euros de fundos de recuperação.
  • A UE mantém exigências de Estado de Direito; o desbloqueio depende de reformas associadas à independência judicial, corrupção e governança.
  • A Comissão está disposta a apoiar as reformas, mas avisa que restabelecer totalmente o Estado de direito levará tempo e exigirá compromissos sustentados.
  • O Governo húngaro indica mudanças constitucionais e de pessoal para renovar a governação; a UE acompanha o processo, com o próximo relatório de Estado de Direito previsto para julho.

Michael McGrath, comissário europeu para a Democracia, Justiça e Estado de Direito, afirmou numa entrevista à Euronews que as reformas na Hungria devem servir os cidadãos, não apenas destravar fundos da UE. O governo de Péter Magyar procura desbloquear 10 mil milhões de euros de fundos de recuperação, bloqueados por preocupações com o Estado de Direito.

O comissário sublinhou que as mudanças não são apenas para agradar Bruxelas, mas para devolver direitos e oportunidades aos húngaros. Referiu casos de estudantes que perderam acesso a partes do programa Erasmus devido a preocupações com fundações públicas criadas pelo anterior governo.

McGrath indicou que a Comissão está disposta a apoiar as reformas, desde que haja compromisso duradouro com o Estado de Direito. Admitiu que reverter parte do que foi feito nos últimos anos exigirá tempo e esforços consistentes.

Diálogo com Bruxelas e próximos passos

O primeiro-ministro húngaro reúne-se na sexta-feira com a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, para discutir o desbloqueio dos fundos. O objetivo é a normalização das relações, incluindo a independência do poder judicial e a governança pública.

O comissário reforçou que Bruxelas acompanhará de perto a evolução no âmbito do relatório anual do Estado de Direito, com a próxima avaliação esperada em julho. A Hungria já tem contactos de alto nível com a União para avançar com as reformas.

Magyar tem sinalizado que pode realizar alterações constitucionais, nomeadamente para limitar mandatos do primeiro-ministro, uma medida interpretada como forma de evitar retorno de figuras da era Orbán. A Comissão não comentou diretamente a proposta, destacando a competência nacional.

Contexto e implicações

As reformas são vistas na UE como teste à capacidade de reconstruir instituições democráticas a partir de dentro. Analistas destacam o risco de atrasos no desbloqueio dos fundos caso haja dúvidas sobre compromissos com o Estado de Direito.

O governo húngaro pretende também reverter partes da governação anterior, mantendo diálogo com Bruxelas. O objetivo é equilibrar a transição institucional com a proteção dos direitos dos cidadãos.

A cobertura acompanha ainda a evolução política na Hungria, onde o novo governo busca consolidar relações com a UE enquanto gere tensões constitucionais internas. O acompanhamento do processo é parte da avaliação contínua da União sobre o Estado de Direito na região.

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