- O Parlamento Europeu vai entregar a 18 de maio um ultimato de mais 200 mil milhões de euros para o orçamento 2028‑2034, com ameaça de veto, enquanto a França contesta o acordo.
- O conflito gira em torno do teto de despesa de 1,26% do rendimento nacional bruto; o Parlamento quer 1,27% (excluindo custos do reembolso da dívida da pandemia), para financiar defesa e IA.
- Se a maioria rejeitar a trajetória, o plano de 2 biliões de euros pode ficar congelado, atrasando o início do ciclo de financiamento de 2028.
- O orçamento proposto para 2028‑2034 é de 1.816,89 mil milhões de euros, com três pilares, redução de programas de 52 para 16 e criação de novos recursos próprios.
- Existem divergências regionais: Leste cobra mais segurança e coesão; países frugais defendem contenção orçamental; o Parlamento defende participação mais ampla de autoridades locais e regionais.
A União Europeia enfrenta uma impasse no orçamento de 2 biliões de euros para 2028-2034. O Parlamento Europeu exige mais 200 mil milhões e avisa com veto, numa contestação ao teto de despesa de 1,26% do RNB defendido pela Comissão. França também contesta o acordo, considerando-o precipitado.
O atrito central envolve financiamento de novas prioridades, como defesa e IA, sem prejudicar agricultores nem o apoio regional. O Parlamento votou a favor de subir a despesa para 1,27% do RNB, excluindo o reembolso da dívida pandémica para não “asfixiar” o investimento futuro.
Quadro financeiro plurianual: o que está em jogo
O QFP fixa o destino de fundos para investigação, clima, agricultura, cultura, defesa e ambiente. A Comissão propõe 1.816,89 mil milhões a preços correntes, com menos programas e maior foco. A negociação envolve Conselho e Parlamento, sob o escrutínio de recursos próprios.
A Comissão defende novos recursos próprios para financiar o pacote, estimados em 58,2 mil milhões por ano a partir de 2028. O objetivo é criar uma base estável sem depender de impostos diretos ao cidadão.
Quem ganha, quem perde e onde está a divergência
O primeiro pilar representa 44% do orçamento, com 409 mil milhões no NRPP. O segundo pilar soma 21%, entre ECF e Horizonte Europa, para competitividade e energia verde. A defesa e IA também recebem reforços, com foco na proteção e inovação tecnológica.
O setor da sociedade civil recebe menos atenção, sob planos nacionais mais amplos. O Parlamento teme perda de visibilidade de autoridades locais, regionais e da sociedade civil, defendendo participação multinível desde o início.
Reações e próximos passos
A posição do Parlamento aponta a necessidade de manter a coesão e o papel das autoridades locais. Deputados defendem maior transparência, com um mandato orçamental mais sólido. A cimeira de junho está em aberto, com votação prevista para 18 de maio.
No cenário atual, o risco é atrasar o lançamento do ciclo de financiamento de 2028, caso haja rejeição da trajetória proposta. As negociações continuam entre Parlamento, Comissão e Conselho, com o objetivo de encontrar um acordo que respeite as prioridades europeias.
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