- O cruzeiro MV Hondius fundeou no porto de Granadilla de Abona, sul de Tenerife, após uma disputa entre o Governo das Canárias e o governo central espanhol sobre a evacuação dos passageiros.
- O presidente do Governo das Canárias, Fernando Clavijo, afirmou ter pedido um avião militar com capacidade para duzentas e dez pessoas, mas apenas catorze iriam partir; o pedido não foi atendido de forma satisfatória.
- A Direção-Geral da Marinha Mercante ordenou a receção do navio por necessidade de assistência sanitária, enquanto Clavijo insistiu que o navio só fundearia com autorização canária.
- Os primeiros passageiros, 14 espanhóis, desembarcaram por volta das 09h40 locais, sendo escoltados até ao aeroporto de Tenerife Sul; a evacuação decorreu em fases por nacionalidade, com medidas de biossegurança.
- O surto de hantavírus já envolve 23 países; a OMS pediu calma à população de Tenerife, e a UE ativou o Mecanismo de Proteção Civil para apoio, incluindo uma ambulância aérea rescEU; o último avião para transferir passageiros partirá para a Austrália na segunda-feira.
O MV Hondius fundeou-se no porto industrial de Granadilla de Abona, no sul de Tenerife, após uma escalada diplomática entre o Governo das Canárias e Madrid sobre a evacuação de passageiros. O cruzeiro chegou sem a autorização canária para atracar, com a tensão de fundo a girar em torno de garantias de evacuação aérea.
Fernando Clavijo, presidente das Canárias, acusou o Governo central de falhar ao atender o pedido de transferência de passageiros num avião militar com capacidade para 210 lugares, previsto apenas para 14 passageiros. O posicionamento da ilha irritou o Executivo central, que respondeu com atraso.
A Direção-Geral da Marinha Mercante ordenou a receção do navio em Granadilla, justificando a necessidade de assistência sanitária. Clavijo afirmou que o cruzeiro entraria apenas com autorização regional, sob pena de responsabilizar Madrid por eventuais incidentes.
Desdobramentos da evacuação
O navio estabilizou-se perto da doca por volta das 06:30, com o desembarque inicial a começar perto das 09:40. Do porto foram para terra passageiros sem sintomas, em fases, por nacionalidade e com voos disponíveis.
A primeira vaga de evacuação envolveu 14 espanhóis, transportados num autocarro da Unidade Militar de Emergências, escoltado pela Guardia Civil, rumo ao aeroporto de Tenerife Sul. Não foram recebidas bagagens, apenas itens essenciais.
No terreno, ministros da Saúde e do Interior acompanharam a operação na noite de sábado, com a OMS a coordenar ações. Os passageiros seguiram por lancha, cada um com uma bagagem pequena, usando máscara FFP2.
Envolvimento internacional e impacto sanitário
Ao todo, 23 países aparecem afetados pelo hantavírus confirmado a bordo, segundo a Saúde. O último avião com passageiros deve partir para a Austrália na tarde de segunda-feira, conforme planeado.
O ministro do Interior indicou que a maioria dos aviões já se encontrava em Tenerife e que os restantes chegariam no dia seguinte. A decisão de fundear ou atracar depende de Capitania, autoridades portuárias, do estado do mar e da situação sanitária.
A Comissão Europeia ativou o Mecanismo de Proteção Civil. Noruega enviou uma ambulância aérea rescEU para Tenerife, com capacidade adicional de transporte de Estados-membros. Tedros Ghebreyesus acompanhado pela OMS manteve comunicação com a população.
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