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Manifesto pede revolta popular em Angola por urnas sob controlo do poder

Manifesto defende revolta popular em Angola, alegando captura do Estado e inviabilidade de alternância democrática nas eleições de 2027

Contagem de votos numa assembleia de voto nas eleições de 2022 em Angola
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  • Um manifesto divulgado para as eleições de 2027 em Angola defende uma “revolta popular” como forma de mudar o poder, alegando que as urnas estão sob controlo estatal.
  • O documento foi criado por Domingos da Cruz e Luzia Moniz, com 36 assinaturas de várias personalidades, e critica a oposição por ser “propriedade do regime”.
  • Afirma que a alternância democrática via voto é inviável devido à captura do Estado e ao controlo das instituições, incluindo serviços secretos e a Casa Militar da Presidência.
  • O texto descreve o sofrimento do povo angolano desde a independência e sustenta que a oposição não é eficaz, propondo construir uma plataforma de libertação nacional sem depender de lideranças partidárias.
  • Especialistas ouvidos divergem: alguns criticam a ideia de revolução popular como um passo incerto, temível por poder ser descontrolada, enquanto outros destacam falhas na abordagem proposta pelo manifesto.

O manifesto divulgado defende a realização de uma “revolta popular” em Angola como caminho para a mudança, alegando que as urnas estão sob controlo do poder. A iniciativa aponta 2027 como data-chave e coloca em causa a legitimidade da alternância democrática pelo voto.

Domingos da Cruz e Luzia Moniz são os dinamizadores do texto, que foi desenvolvido ao longo de seis meses com a assinatura de 36 pessoas, incluindo Manuel dos Santos e Domingos Tchipilica.

O documento sustenta que o Estado está “capturado” e que as instituições do processo eleitoral estão sob controlo de serviços de segurança e da Casa Militar da Presidência. A ideia é apresentada como inviável sem uma mudança radical.

Segundo o manifesto, a oposição está associada ao regime, defendendo apenas interesses materiais, o que, na leitura dos autores, impede a verdadeira alternância política. O texto acusa a continuidade de “sofrimento apocalíptico” até 2027.

A origem do movimento é descrita por Domingos da Cruz e pela socióloga Luzia Moniz, que trabalharam no texto com outras 36 assinaturas. A abordagem insinua uma nova via para a libertação nacional, sem referências a lideranças partidárias.

Analistas ouvidos pelo PÚBLICO mostram ceticismo em relação à proposta de “revolução popular”. Observam que tais iniciativas podem criar tumulto sem garantia de controlo, complicando qualquer processo de democratização.

A ideia de revolta é encarada como uma resposta a uma suposta ausência de ética na política angolana, segundo alguns especialistas. O manifesto é visto como expressão de desilusão com o sistema multipartidário existente.

Os signatários defendem evitar a liderança centrada, propondo uma plataforma de libertação nacional que não dependa de figuras específicas. A intenção é mobilizar cidadãos para construir uma via própria de mudança.

O texto também suscita debates entre académicos sobre o papel da Igreja e de instituições religiosas na luta pela democracia, com opiniões divergentes sobre a sua participação na cidadania cívica.

Especialistas destacam que revoltas públicas apresentam riscos de descontrole. Reforçam a necessidade de caminhos claramente definidos para evitar tumultos que poderiam comprometer a estabilidade do país.

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