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Sepultura do carniceiro de Jasenovac em Espanha vira santuário nazi

Em Espanha, o túmulo de Luburić perde o brasão da Ustaša; o cemitério passa a exibir painéis explicativos sobre os crimes do líder.

Vjekoslav Luburić, sem boné, senta-se à mesa com um oficial alemão no campo de concentração de Stara Gradiška.
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  • Vjekoslav Luburić, chamado “Maks, o carniceiro”, dirigiu o campo de concentração de Jasenovac, responsável por dezenas de milhares de mortes entre 1941 e 1945.
  • Após a Segunda Guerra Mundial, o regime de Franco ofereceu-lhe refúgio em Espanha, onde viveria com nova identidade: Vicente Pérez García.
  • No cemitério de Carcaixent, Valência, foi retirado o brasão da Ustaša da sepultura de Luburić, que estava ali desde 1976, e passou a constar no Catálogo de Símbolos Contrários à Memória Democrática.
  • O governo espanhol destaca que o símbolo está ligado a um regime genocida e não é compatível com os princípios democráticos; junto ao túmulo serão inseridos painéis informativos.
  • Luburić foi assassinado em abril de 1969 na sua casa em Carcaixent por Ilija Stanić, com alegada ligação aos serviços secretos jugoslavos; o crime ficou impune durante décadas.

O governo de Espanha removeu o brasão da Ustaša da sepultura de Vjekoslav Luburić, no cemitério de Carcaixent (Valência). A medida inscreve-se no Catálogo de Símbolos e Elementos Contrários à Memória Democrática e deverá ocorrer em breve. Luburić era conhecido como Maks, o carniceiro, figura ligada ao regime croata pró-nazi da Ustaša.

Luburić chefiou o complexo de campos de concentração de Jasenovac, onde milhares de pessoas foram mortas entre 1941 e 1945, principalmente sérvios, judeus, ciganos e opositores. Narra-se que descreveu-se como criminoso de guerra pela graça de Deus e que foi treinado em Auschwitz. A sua gestão de Jasenovac é descrita como particularmente brutal.

Após a Segunda Guerra Mundial, Luburić refugiou-se em Espanha sob identidade falsa, mantendo ligações com o regime de Franco e com setores da Igreja. Instalou-se em Benigànim e depois em Carcaixent, onde montou uma tipografia para difundir propaganda ultranacionalista croata. O túmulo situa-se à entrada do cemitério e tem sido alvo de controvérsia ao longo dos anos.

O Governo espanhol confirmou que o brasão removido não corresponde ao símbolo da antiga república jugoslava, mas ao Estado Independente da Croácia, liderado por Ante Pavelić. Em comunicado, o Ministério da Memória Democrática sublinhou que o emblema está ligado a um regime genocida e é incompatível com princípios democráticos.

Luburić foi assassinado em abril de 1969, na casa de Carcaixent, por Ilija Stanić, alegadamente a mando de serviços jugoslavos. A imprensa franquista descreveu o crime como consequência de uma conspiração comunista, mantendo-se o caso sem resolução durante décadas. A exumação do corpo já foi discutida, mas a família opôs-se.

Apesar de a remoção do emblema não alterar o lugar de sepultura, passará a existir um painel informativo para contextualizar a figura e os crimes associados. O objetivo, segundo o Governo, é reparar as vítimas e evitar qualquer exaltação do fascismo, fixando a memória dos episódios do genocídio europeu.

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